Lula: “quem pretende governar o Brasil não pode mentir para o eleitorado”
Enquanto nas redes sociais o senador e pré-candidato ao Governo do Estado, Sergio Moro (PL), defendeu o aliado e também senador, Flávio Bolsonaro, no caso do financiamento do filme de Jair Bolsonaro, na Bahia, o presidente Lula disse que “quem pretende governar o Brasil não pode mentir para o eleitorado”, numa clara alusão ao candidato Flávio Bolsonaro.
“Vocês estão vendo na televisão. A verdade tarda, mas não falha. Minha mãe dizia: ‘Mentira tem perna curta. Ela pode causar prejuízo’. Vocês viram o que fizeram comigo para que eu não fosse candidato em 2018. Fiquei 580 dias preso. Eles acharam que eu tinha acabado no Brasil. Eles não conheciam o povo da Bahia e eu voltei a ser o presidente da República pela terceira vez […] A gente não pode permitir a prevalência da mentira nesse país.”
Investigações da PF
De acordo com reportagem da Revista Forum, o dinheiro de Vorcaro a Flávio Bolsonaro pode ter sido usado para financiar coação de Eduardo nos EUA

A Polícia Federal (PF) vai investigar oficialmente os indícios de que os recursos financeiros ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro — no centro do escândalo do Banco Master — podem ter sido usados não para o filme Dark Horse, mas para financiar atividades políticas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, incluindo suposta coação internacional contra o Supremo Tribunal Federal (STF). A nova linha de investigação ganhou impulso após a divulgação de mensagens e áudios entre o senador Flávio Bolsonaro e Vorcaro, e após pedidos de apuração feitos por parlamentares como o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
Escândalo do Banco Master
O caso conecta duas investigações em curso: o escândalo do Banco Master, que levou à prisão de Vorcaro sob suspeita de fraude bilionária e outros crimes financeiros, e o processo no STF contra Eduardo Bolsonaro (Ação Penal 2.782), que trata da coação no curso do processo por meio de lobby político e pressão internacional contra o Judiciário brasileiro.
Reportagem do The Intercept Brasil revelou que, em novembro de 2025 — com as investigações sobre o Banco Master já públicas — Flávio Bolsonaro enviou áudios e mensagens a Daniel Vorcaro pedindo repasses que somariam cerca de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões) para financiar a produção do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre seu pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro. Parte desses recursos — cerca de US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) — teria sido enviado em seis operações entre fevereiro e maio de 2025.
Vorcaro, o “irmão”
No áudio, Flávio reconhece a necessidade de dinheiro para continuar a produção e chega a chamar Vorcaro de “irmão”, apesar do contexto de investigações federais que já cercavam o banqueiro e o banco que ele controlava.
O senador confirmou ter solicitado o apoio financeiro, mas nega irregularidades, sustentando que se tratou de patrocínio privado para um projeto privado e que não houve uso de dinheiro público ou ilegal.
Coação de Eduardo Bolsonaro nos EUA

Paralelamente, Eduardo Bolsonaro enfrenta acusação formal da Procuradoria‑Geral da República (PGR) no STF por atuar em uma ofensiva de pressão internacional para intimidar ministros da Corte e tentar travar o julgamento do processo que envolve a condenação de seu pai por tentativa de golpe de Estado e outros crimes políticos. A denúncia qualifica a ação como crime de coação no curso do processo, previsto no Código Penal, por meio de ameaças políticas, econômicas e diplomáticas.
Lobby nos Estados Unidos
processo se apoia em evidências de lobby nos Estados Unidos organizado por Eduardo, incluindo ações junto à administração norte‑americana para aplicar sanções a magistrados brasileiros e criar um ambiente de pressão sobre o Supremo.
O elemento novo que motiva a investigação da Polícia Federal é a revelação de uma possível triangulação financeira: repasses do banqueiro Vorcaro intermediados por Flávio Bolsonaro, que podem ter sido usados para financiar atividades de aliados no exterior, incluindo um fundo no Texas ligado a associados de Eduardo Bolsonaro. Segundo parlamentares de oposição, essa movimentação levanta indícios de lavagem de dinheiro transnacional, evasão de divisas e financiamento ilegal de atividades políticas.
Ofensiva política contra Flávio
As revelações intensificaram a ofensiva política contra Flávio Bolsonaro. Partidos como PT, PSOL e PCdoB protocolaram pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico, além de representações junto à PF e à PGR, pedindo inclusive a prisão preventiva do senador e a instauração de CPI ou CPMI para apurar o caso Banco Master e as relações financeiras da família Bolsonaro com o banqueiro.
A crise também ressoa no contexto eleitoral de 2026: com Flávio pré‑candidato à Presidência, aliados de setores da oposição defendem que as revelações e possíveis irregularidades associadas à negociação com Vorcaro podem ter impacto direto nas expectativas de campanha.
O caso do Banco Master já vinha sendo investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraude financeira, lavagem de dinheiro, corrupção e outros delitos ligados ao banco. Vorcaro foi preso em novembro de 2025 enquanto tentava deixar o país, e o banco foi liquidado pelo Banco Central. A ligação dos recursos com figuras políticas agora ganha novo foco na PF, que busca mapear o fluxo de dinheiro e possíveis crimes conexos.
A apuração prospectiva pode revelar conexões ainda mais amplas entre atores políticos, operadores financeiros e interesses econômicos, com potencial de repercussão significativa na cena política brasileira nas vésperas das eleições presidenciais. (Revista Fórum).
Sergio Moro sai em defesa de Flávio Bolsonaro

O senador Sergio Moro, o paladino da moralidade, disse nesta quinta-feira (14), na rede social X, que “Flávio Bolsonaro apresentou suas explicações sobre o episódio” e atacou o Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarando que “sinônimo de corrupção no Brasil é o PT”.
Ao sair em defesa de Flávio Bolsonaro, Moro não deu destaque ao suposto financiamento de R$ 134 milhões para o filme do ex-presidente Jair Bolsonaro, preferindo focar no Mensalão, Petrolão, roubo dos aposentados e pensionistas do INSS, enquanto milhões de famílias estão endividadas. Ou seja, críticas ao governo Lula.
De acordo com o Metrópoles, o senador expôs, ainda, que sempre defendeu a instalação do colegiado para investigar as denúncias relacionadas ao caso Master, e reiterou: “Quem não deve não teme”.
Áudio vazado
Reportagem publicada pelo Intercept Brasil, nessa quarta-feira (13/5), revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, os recursos teriam sido solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro.
De acordo com a reportagem, os pagamentos ocorreram entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações diferentes. O valor total negociado para o projeto chegaria a R$ 134 milhões, embora, segundo o site, não existam provas de que toda a quantia tenha sido efetivamente transferida.
Um dos áudios divulgados pelo Intercept, atribuído a Flávio e datado de 8 de setembro de 2025, mostra o senador cobrando Vorcaro por atrasos nos repasses para a produção do filme:
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme, né?”, disse o parlamentar na gravação.
Após a divulgação do conteúdo, Flávio confirmou que participou das negociações envolvendo o financiamento do longa, mas negou qualquer irregularidade nas tratativas.





