Mortes por acidentes de transporte no Brasil atingem maior nível desde 2019; 82% das vítimas são homens

  • Mortalidade cresceu cerca de 16% entre 2019 e 2024; Palmas (TO), Porto Velho (RO) e Teresina (PI) têm as maiores taxas entre capitais
  • Motociclistas acidentados somam mais de 150 mil internações no SUS

O Brasil registrou aumento na mortalidade por acidentes de transporte pelo sexto ano consecutivo, com 38.253 óbitos em 2024, o maior patamar desde 2019. A taxa passou de 15,8 para 18 mortes por 100 mil habitantes entre 2019 e 2024, crescimento de cerca de 14% no período. Com mais de 82% dos óbitos registrados, homens representam a maioria das vítimas. Os dados são do DATASUS-SIM e estão disponíveis no Observatório da Saúde Pública, da Umane, organização da sociedade civil que fomenta iniciativas no âmbito da saúde pública.

O impacto dos acidentes de transporte também se reflete na pressão sobre o sistema de saúde. Apenas as internações de motociclistas acidentados somaram mais de 150 mil hospitalizações na rede pública em 2024, segundo o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Desde 2008, quando foram registrados cerca de 41 mil casos, esse número cresceu aproximadamente 265%.

“O expressivo aumento nos acidentes de transporte não são apenas uma questão de mobilidade urbana como também um problema relevante de saúde pública, e figuram entre as principais causas evitáveis de internações e mortes no país, gerando impactos diretos no SUS. Medidas como controle do consumo de álcool, respeito aos limites de velocidade e regras de trânsito, além do uso de capacete, são ações simples que, uma vez respeitadas, trariam um grande benefício a toda a sociedade.”, afirma Evelyn Santos, gerente de Investimento e Impacto Social da Umane.

Entre as capitais, Palmas (TO) apresenta a maior taxa de mortalidade por acidentes de transporte no país, com 30,6 mortes a cada 100 mil habitantes em 2024. Na sequência aparecem Porto Velho (RO), com 23,1, e Teresina (PI), com 21,4.

Em contrapartida, as menores taxas foram registradas em São Paulo (SP), com 4,3 mortes por 100 mil habitantes; Rio de Janeiro (RJ), com 4,5; e Salvador, com 7,4. 7

MunicípioUFTaxa a cada 100 mil habitantes
PalmasTO30,6
Porto VelhoRO23,1
TeresinaPI21,4
Boa VistaRR19,8
CuiabáMT18,9
Campo GrandeMS18,8
GoiâniaGO18,7
Rio BrancoAC17
ManausAM15,6
São Luís(MA)14,2
AracajuSE13,2
BelémPA12,7
MacapáAP11,9
FlorianópolisSC11,3
RecifePE11,3
CuritibaPR11,1
VitóriaES11,1
BrasíliaDF10,9
MaceióAL10,5
FortalezaCE9,9
João PessoaPB9,8
Porto AlegreRS9,4
Belo HorizonteMG9,1
NatalRN7,4
SalvadorBA7,4
Rio de JaneiroRJ4,5
São PauloSP4,3

Em 2024, os dados indicam que a maioria das vítimas era de pessoas pardas (21.296), seguidas por brancas (14.113) e pretas (2.187). As faixas etárias mais atingidas foram de 25 a 54 anos, totalizando cerca de 21 mil mortes, o equivalente a 54% do total de óbitos registrados no ano.

Sobre a Umane

A Umane é uma organização da sociedade civil, independente, isenta e sem fins lucrativos que apoia iniciativas no âmbito da saúde pública com o objetivo de contribuir para um Sistema Único de Saúde (SUS) mais resolutivo e de melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem no Brasil. Em 2025, a Umane apoiou 35 projetos, realizados de forma colaborativa com 97 parceiros, entre diversos setores da saúde, da sociedade civil e do poder público.

A atuação da Umane se dá por meio de três programas: o de Atenção Integral às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), com iniciativas de controle dos fatores de risco, rastreamento, ampliação do acesso à saúde e ao monitoramento dos fatores de risco na Atenção Primária à Saúde; o Fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) como ordenadora do cuidado no SUS, por meio do apoio a iniciativas que visem melhorias operacionais, de produtividade de equipes, de integração de serviços e da incorporação de novas tecnologias ao sistema de saúde e o programa Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, financiando programas que acompanhem e monitorem desfechos desfavoráveis durante a gestação e as condições de saúde de crianças e adolescentes no contexto das Doenças Crônicas Não Transmissíveis e dos fatores de risco.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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