No Maio amarelo, levantamento da Prefeitura de Curitiba mostra gastos de R$ 37,1 milhões com assistência em 2025. Ou mais de R$ 800 milhões se levado em conta o impacto socioeconômico.
Levando em conta somente os custos hospitalares com assistência a vítimas do trânsito curitibano, o Sistema Público de Saúde teve gastos de R$ 37,1 milhões no decorrer de 2025. O atendimento envolveu 9.229 pessoas, conforme levantamento da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, divulgado nesta segunda-feira (25) pela Prefeitura Municipal. Contudo, o impacto financeiro dos acidentes é muito maior, quando aplicada a metodologia de cálculo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Isso quer dizer que, considerando toda cadeia socioeconômica, a cifra alcança o patamar de R$ 806 milhões.
A análise mais abrangente, com o cálculo do Ipea, considera, além dos custos hospitalares, também os valores gastos com procedimentos médicos complementares, reabilitação, sequelas permanentes, perda de produtividade, afastamentos laborais, custos previdenciários e institucionais, bem como o impacto econômico do óbito.
No mês do Maio Amarelo, em que há o recrudescimento das campanhas de conscientização e prevenção, destacam os gestores público que os acidentes de trânsito são um problema coletivo e que interessa a todos. Afinal, de acordo com estudos do próprio Ipea, os sinistros decorrentes de tráfego urbano e nas rodovias representam um custom global de mais de R$ 50 bilhões anualmente à sociedade brasileira, impactando o SUS, a produtividade e gerando gastos materiais elevados.
Consequências
Traumas, sequelas graves e mortes violentas costumam ser as consequências dos acidentes de trânsito. São problemas que já causam bastante sofrimento às famílias e amigos das vítimas, mas a triste verdade é que eles não param por aí. O eco de todo acidente de trânsito vai sempre reverberar no Sistema Único de Saúde (SUS), que acolhe e maioria das vítimas. O custo para amparar vítimas de trânsito em Curitiba, levando em conta apenas os hospitalares, foi apresentado após levantamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). De acordo com a secretária municipal de Saúde, Tatiane Filipak, recursos que poderiam ser direcionados para ampliar a assistência à saúde acabam sendo usados para socorrer vítimas do trânsito, “uma história que infelizmente se repete todos os anos””.
No ano passado, 209 pessoas morreram em acidentes, o que representa um crescimento de 29,8% em relação a 2024, com 161 óbitos. Por isso, a secretária reforça a importância da campanha do Maio Amarelo, um chamado para toda a sociedade adotar prudência no trânsito, já que o impacto financeiro dos acidentes é muito maior quando é aplicada a metodologia de cálculo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e chega a impressionantes R$ 806 milhões, levando em conta o mesmo número de vítimas.
Isso porque, além dos custos da internação hospitalar, o Ipea também considera os valores gastos com procedimentos médicos, reabilitação, sequelas permanentes, perda de produtividade, afastamentos laborais, custos previdenciários e institucionais, além do impacto econômico do óbito.

Enxergar o outro
Das 209 pessoas que perderam a vida no trânsito, 95 são motociclistas. Tatiane Filipak lembrou que o tema da campanha do Maio Amarelo deste ano “Enxergar o outro é salvar vidas”, é um alerta aos motoristas pela alta vulnerabilidade dos motociclistas, que hoje representam uma parcela crescente dos deslocamentos urbanos e das vítimas de sinistros.
“O ser humano leva nove meses para nascer, mas depois que vem ao mundo quer tudo para ontem. Nós precisamos desacelerar! O cuidado ao paciente não é somente no dia da ocorrência. Ali é só o começo, a demanda por cuidados continua. Às vezes ficam sequelas, o paciente vai para o nosso INSS, fica afastado. Tudo isso tem um custo alto, conforme está demonstrado nesses estudos”, alertou a secretária de Saúde.
Tratamento custa caro
O tratamento para recuperação das vítimas é o item que custa mais caro tanto no levantamento dos custos do SUS quanto no do Ipea. No cálculo do sistema público, os ferimentos graves (sem risco à vida), com politrauma e necessidade frequente de UTI (com risco à vida), representou no ano passado o custo de R$ 26,7 milhões.
Este valor salta para R$ 680 milhões no estudo do Ipea, considerando os mesmos quesitos, por considerar também os impactos nos fatores socioeconômicos. Um dos caminhos para reduzir essa triste estatística é investir em ações coordenadas envolvendo o setor público e a sociedade civil em prol da segurança viária em campanhas como a do Maio Amarelo.

Fonte: Prefeitura de Curitiba





