Curitibano Patesko foi o precursor, disputando as Copas de 1934 e 1938. Depois vieram muitos craques. Em 2026, além de Léo Pereira, outro curitibano entra em campo: Lucas Mendes, mas naturalizado catari, vai jogar pelo time do Oriente Médio.
Desde 2018, quando Miranda e Fernandinho participaram da Copa do Mundo na Rússia, o Paraná não tinha um jogador na disputa do maior torneio de futebol do Planeta. O zagueiro Léo Pereira, hoje jogando no Flamengo, rompeu a ausência de paranaenses no torneio de 2022, no Catar, e integra o elenco da Seleção Brasileira, que faz a sua estreia nesse sábado, às 19h (horário de Brasília), jogando contra o Marrocos. O goleiro Bento, outro curitibano como Léo Pereira, esteve presente nas convocações do treinador Carlo Ancelotti, mas acabou dando lugar ao acreano Wewerton, com passagem de destaque pelo Athletico. Outro curitibano presente na Copa de 2026, Lucas Mendes, vai atuar pelo Catar, país em que se naturalizou.
A trajetória de paranaenses em Copas do Mundo teve como precursor o também curitibano Patesko, apelido de Rodolfo Barteczko, descendente de imigrantes polacos e alemães e que nasceu em 12 de novembro de 1910. Considerado um exímio ponta-esquerda, ele iniciou a carreira no antigo Palestra Itália (fundado em 1921 e extinto em 1971). Disputou os mundiais de 1934, na Itália, e de 1938, na França. Atuou em quatro partidas, uma delas no primeiro torneio. Em 1942, fazia parte do escrete, mas não houve o Mundial por causa da Segunda Guerra.
Patesko teve passagens por Força e Luz (RS), Nacional (Uruguai), Botafogo, Fluminense e Atlético Mineiro, onde encerrou a carreira disputando um único jogo amistoso. Pela seleção, jogou 34 partidas, somando 20 vitórias, cinco empates, nove derrotas e marcando onze gols. Faleceu no Rio de Janeiro em março de 1988, aos 78 anos.

Paraná na Copa da Inglaterra
Depois de Patesko, quem participou de uma Copa do Mundo foi Ademir de Barros, apelidado Paraná, por ter nascido na cidade de Cambará, no norte do Estado. Participou da Copa de 1966 na Inglaterra, sendo titular no jogo de despedida da Seleção com a derrota de 3 a 1 para Portugal de Eusébio. Paraná começou sua carreira no São Bento de Sorocaba, interior paulista, mas com destaque em sua passagem depois pelo São Paulo, time pelo qual jogou nove temporadas. Teve uma passagem pelo Londrina, em 1976, ficando marcado por ter sido o autor do primeiro gol no Estádio do Café. Encerrou a carreira em 1982, depois de retornar ao Tricolor paulista. Nascido em 21 de março de 1942, Paraná tem 84 anos e vive na cidade paulista de Sorocaba. Sua carreira registra 445 jogos e 45 gols, um deles jogando pelo Brasil, o qual representou nove vezes. Pelo São Paulo jogou 395 vezes e marcou 40 gols.

Dirceuzinho, em três Mundiais
Dirceu José Guimarães tinha sido o último curitibano em Copa do Mundo antes da convocação de Léo Pereira. Nascido em 15 de junho de 1952, ele esteve em três Copas do Mundo: 1974, na Alemanha; 1978, na Argentina: e 1982, na Espanha. Jogador de grande versatilidade e preparo físico, jogou ao todo 12 partidas pelo Mundial, sendo que no torneio de 1978 foi eleito o terceiro melhor jogador.
Iniciou a carreira jogando pelo Coritiba, de 1970 a 1972, vestindo depois as camisas de Botafogo, Fluminense e Vasco. Teve depois uma longa carreira no futebol internacional, com passagens por América e Venados de Yucatán, ambos do México; Hellas Verona, Napoli, Ascoli, Como, Avelino, Ebolitana e Benevenuto, todos da Itália; Miami Freedom, dos Estados Unidos; e Atlético de Madrid, da Espanha.
Dirceu estava de volta ao Brasil em setembro de 1995, quando, aos 43 anos, foi vítima de acidente de trânsito no Rio de Janeiro. Ele e o amigo italiano Pasquale Sazio estavam em um Puma, que foi abalroado por outro carro, ocupado por rapazes que faziam um “racha”. Ambos morreram na hora. Dirceu deixou três filhos e a esposa, que estava grávida do quarto filho. Ao todo, jogou 44 partidas pela Seleção Canarinho e marcou sete gols.

Rogério Ceni em 2002 e 2006
Ídolo do São Paulo e um dos maiores goleiros brasileiros de todos os tempos, Rogério Mücke Ceni nasceu em Pato Branco (em janeiro de 1973), no sudoeste do Paraná, e participou de duas Copas do Mundo, em 2002 e em 2006. Foi o terceiro goleiro na conquista do penta em 2002, mas não entrou em campo. Quatro anos depois, foi o reserva imediato de Dida e jogou a última partida da fase de grupos, na goleada por 4 a 1 contra o Japão.
Rogério Ceni começou a carreira no Sinop, do Mato Grosso, em 1990, e se transferiu para o São Paulo no ano seguinte. Com a camisa do Tricolor paulista, foi tricampeão brasileiro e paulista, bicampeão da Libertadores e da Sul-Americana e campeão do Mundial de Clubes, sendo herói na final contra o Liverpool, além de um Intercontinental, um Rio-São Paulo e uma Copa Conmebol.
Ainda é o goleiro com mais gols da história do futebol, com 131 tentos anotados. Como profissional, atuou em mais de 900 jogos. Após encerrar a carreira como jogador, aos 43 anos, Rogério Ceni virou técnico e já foi campeão brasileiro com o Flamengo. Ele também é considerado um dos maiores treinadores da história do Fortaleza e hoje comanda o Bahia.

Cascavelense Belletti em 2002
Juliano Haus Belletti nascido em junho de 1976 em Cascavel, no oeste paranaense, participou do grupo campeão do mundo em 2002, embora tenha jogado somente nos minutos finais na semifinal contra a Turquia. Era o reserva imediato do capitão Cafu.
Como jogador, Belletti iniciou a carreira como volante, mas fez sucesso como lateral-direito. Ainda no juvenil, começou no Cruzeiro e depois passou por São Paulo e Atlético Mineiro. Seguiu depois para a Espanha, onde jogou pelo Villarreal e viveu o auge da carreira ao se transferir para o Barcelona, onde jogou de 2004 a 2007. Na temporada 2005/2006, marcou o gol do título da Liga dos Campeões. Jogou ainda por Chelsea e Fluminense.
Fora das quatro linhas, Belletti trabalhou quase um ano como diretor executivo internacional do Coritiba, entre dezembro de 2016 e outubro de 2017. Em 2022, iniciou a carreira como treinador no Sub-20 do São Paulo e, de 2024 a 2025, foi treinador do Sub-19 do Barcelona, onde em seguiu passou a ser o responsável técnico pelo time B.

Craque Kléberson, em 2002 e 2010
José Kléberson Pereira, mais conhecido apenas como Kléberson, foi a grande surpresa do penta de 2002, mas também jogaria a Copa de 2010. Nascido em Uraí, no norte paranaense em 19 de junho de 1979, começou no juvenil do PSTU e depois foi revelado pelo time do Athletico, do qual integrou o time campeão do Brasileiro de 2001. Convocado como volante, assumiu a titularidade do time brasileiro já na fase de mata-mata e concluiu sai participação com cinco jogos e duas assistências, uma delas que terminou com o gol de Ronaldo contra a Alemanha.
Kléberson voltou a fazer parte da seleção convocada para o Mundial de 2010, mas teve apenas uma participação no jogo contra o Chile. Depois do sucesso no penta, ele se transferiu para o Manchester United, onde jogou de 2003 a 2005. Teve passagens ainda por Besiktas (Turquia), Flamengo, Bahia, Philadelphia Union, Indy Eleven e Fort Landerdale Striker, além de breve retorno ao Rubro-Negro paranaense. Em 2025, atuou como treinador do North Esporte Clube.

Bandeirantense Nilmar, em 2010
Nilmar Honorato da Silva, mais conhecido como Nilmar, nasceu em Bandeirantes, no Norte Velho, em julho de 1984. Atacante, participou da Copa do Mundo de 2010. Atuou em quatro das cinco partidas da seleção, sendo titular no no empate sem gols com Portugal, na última rodada da fase de grupos. Ele entrou no segundo tempo das vitórias contra Coreia do Norte por 2 a 1 e Chile por 3 a 0 e da derrota por 2 a 1 para os Países Baixos. Só não jogou no triunfo por 3 a 1 sobre a Costa do Marfim.
Apesar de ter nascido no Paraná, Nilmar nunca jogou no futebol do Estado. Revelado no Internacional, o atacante teve boas passagens por Lyon, da França, e Corinthians. Ele ainda jogou novamente no Colorado mais duas vezes, vestiu as camisas de Villarreal, da Espanha, e Al-Rayyan, do Catar, e encerrou a carreira no Santos. Depois, seguiu a carreira de comentarista esportivo.

Curitibano Henrique, em 2014
Henrique Adriano Buss é natural de Marechal Cândido Rondon, no Oeste, onde naceu em outubro de 1986. Foi revelado pelo Coritiba, onde atuou nas categorias de base de 1998 e 2005. Zagueiro versátil, jogou quase uma centena de partidas pelo Coxa de 2006 a 2008, quando foi vendido ao Palmeiras e, em seguida, para o Barcelona, mas com empréstimos a outros clubes europeus antes de voltar ao Brasil, para atuar outra vez pelo Palmeiras. Onde ficaria até 2014. Passou ainda por Napoli, Fluminense, Corinthians, Ittihad Kalba, Belenense e Coritiba, onde ficou de 2021 a 2023 para encerrar a carreira.
Henrique foi a grande novidade na lista de convocados do técnico Luiz Felipe Scolari para a Copa do Mundo em 2014, com o treinador expressando a sua confiança no zagueiro. Ele, porém, jogou poucos minutos na reta final da vitória da Seleção Brasileira por 2 a 1 sobre a Colômbia, nas quartas de final. O jogador voltaria a ser comandado por Felipão no Palmeiras, participando da campanha de campeão da Copa do Brasil de 2012.

Londrinense Fernandinho, em 2014 e 2018
Fernando Luiz Roza, o Fernandinho, nasceu em Londrina, em 4 de maio de 1985. A exemplo de Kléberson, o volante começou a carreira no time de base do PSTU e depois foi revelado pelo Athletico Paranaense, onde jogou até 2005, quando se transferiu para o Shakhtar Donetsk, time ucraniano foi várias vezes campeão, se tornou ídolo e onde ficou até 2013, quando seguiu para uma carreira vitoriosa e campeã no Manchester City, da Inglaterra. Ali jogou até 2022 para o retorno ao Furacão, onde encerraria a carreira depois dos títulos estaduais de 23 e 24. Seu último jogo como profissional foi em 06 de dezembro de 2024, no rebaixamento do Furacão para a Série B do Campeonato Brasileiro.
O volante foi um dos 23 convocados por Felipão para o Mundial de 2014, no Brasil, tendo feito sua estreia na terceira partida, contra o Camarões. Foi autor de um dos gols na goleada de 4 a 1 sobre Camarões. Estava no time titular na histórica derrota de 7 a 1 para a Alemanha. Quatro anos depois do Mundial no Brasil, Fernandinho voltou a ser chamado para o torneio na Rússia. Desta vez o treinador era Tite.

Paranavaiense Miranda, em 2018
João Miranda de Souza Filho, o Miranda, é natural de Paranavaí, noroeste do Paraná, onde nasceu em setembro de 1984. O zagueiro revelado pelo Coritiba participou da Copa do Mundo de 2018 e jogou como titular todas as cinco partidas. Foi, inclusive, o capitão da Seleção Brasileira na vitória por 2 a 0 sobre a Sérvia na fase de grupos e na eliminação para a Bélgica nas quartas de final por 2 a 1.
Depois de deixar a categoria de base, Miranda jogou pelo Coritiba em 88 partidas entre 2004 e 2005, quando se transferiu para o Sochaux, da França, onde passou duas temporadas. De volta ao Brasil, atuou por seis anos no São Paulo. Teve passagens por Atlético de Madrid, Internazionale, Jiangsu Suning, da China, e encerrou a carreira em uma nova passagem pelo São Paulo, de 2021 a 2022. Jogou 58 partidas pela Seleção entre 2007 e 2021. Apesar de integrar a pré-lista de 2014, ele não integrou o grupo que jogou a Copa no Brasil.

Léo Pereira, agora em 2026
Leonardo Pereira é curitibano, nascido em 31 de janeiro de 1996. Começou a carreira no Triste, ainda na fase infantil. Era lateral esquerdo, mas por causa da altura, passou a jogar de zagueiro. Chamou a atenção dos dois times grandes da capital, mas ele acabou opando em ir para o Athletico, ficando na categoria de base de 2010 a 2013, quando passou para o profissional. Ficou no clube até 2019, com alguns empréstimos a outros times no período. Depois de 124 jogos pelo Rubro-Negro, foi para o Flamengo em 2020.
Léo Pereira passou pelas seleções sub-17 e sub-20, chegando este ano à seleção principal, pela qual já disputou alguns jogos. Depois de uma temporada como titular absoluto da zaga do Mengo, Léo estendeu seu vínculo até dezembro de 2027.

Casos emblemáticos e curiosos, como de Alex e Ricardinho
Alex é um dos casos mais emblemáticos de jogadores multicampeões, cracaços de bola e que jogaram em momentos diferentes – vitoriosos ou não – da Seleção Brasileira, mas sem participação nas Copasa do Mundo. Disputou 51 partidas pela Canarinho, tendo marcado 12 gols e dado 11 assistências. Alexsandro de Souza, nascido em Curitiba em setembro de 1977, jogou pelas categorias de base da seleção, olímpica e na principal em disputas de Copa América, Confederações e Eliminatórias.
Ricardo Luís Pozzi Rodrigues, o Ricardinho, começou a sua carreira no Paraná e esteve presente em duas Copasa do Mundo. Pela seleção, disputou 23 partidas, a primeira em março de 2000. Fez parte do grupo que conquistou o penta. Embora tenha suas raízes em Curitiba, ele nasceu em São Paulo, em maio de 1976.
Lucas Michel Mendes (foto) é um curitibano de nascimento (julho de 1990) que estará na Copa do Mundo de 2026. Porém, o lateral esquerdo integra a seleção do Catar, ele que se naturalizou por aquele país e que joga atualmente pelo Al-Wakran. Lucas é formado nas categorias de base do Coritiba, onde começou aos 11 anos de idade. Estreou como profissional em 2008.
Outro nome presente na Copa deste ano e integrando a Seleção do Brasil é Igor Thiago Nascimento Rodrigues, conhecido como Igor Thiago. Começou no futsal e passou por avaliações em várias equipes até ser aprovado no sub-17 do Verê, equipe do interior paranaense, e que depois chegaria ao Cruzeiro. Igor, porém, nasceu em Gama (DF). Sua carreira profissional, contudo, foi toda construída na Europa. O centroavante joga atualmente pelo Brentford, da Inglaterra.

Veja a naturalidade de cada jogador da Seleção:
Região Sudeste
Alex Sandro – Catanduva (SP)
Bruno Guimarães – Rio de Janeiro (RJ)
Casemiro – São José dos Campos (SP)
Danilo – Bicas (MG)
Ederson – Osasco (SP)
Fabinho – Campinas (SP)
Gabriel Magalhães – São Paulo (SP)
Gabriel Martinelli – Guarulhos (SP)
Lucas Paquetá – Rio de Janeiro (RJ)
Luiz Henrique – Petrópolis (RJ)
Marquinhos – São Paulo (SP)
Neymar – Mogi das Cruzes (SP)
Rayan – Rio de Janeiro (RJ)
Vinicius Jr. – Macuco (RJ)
Região Nordeste
Bremer – Itapitanga (BA)
Danilo Santos – Salvador (BA)
Douglas Santos – João Pessoa (PB)
Matheus Cunha – João Pessoa (PB)
Região Sul
Alisson – Novo Hamburgo (RS)
Ibañez – Canela (RS)
Léo Pereira – Curitiba (PR)
Raphinha – Porto Alegre (RS)
Região Centro-Oeste
Endrick – Taguatinga (DF)
Igor Thiago – Gama (DF)
Éderson (MS)
Região Norte
Weverton – Rio Branco (AC)





