Por Pedro Ribeiro – Pesquisas reforçam liderança de Moro e consolidam Greca em terceiro lugar. No Palácio Iguaçu, Ratinho Junior coça a cabeça.
As equipes que acompanham as pesquisas para o Governo do Paraná e para o Senado Federal passaram os últimos dias analisando os resultados dos levantamentos divulgados pelos institutos Veritá e Paraná Pesquisas. Apesar das diferenças metodológicas, os números indicam um cenário de relativa estabilidade na corrida eleitoral.
Para o cientista político e professor Emerson Cervi, o dado mais relevante da pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) pelo Paraná Pesquisas é que 66% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar para governador na pergunta espontânea. Na avaliação dele, trata-se de um indicativo de que a disputa permanece aberta e distante de uma definição.

Segundo Cervi, o quadro para o Governo do Estado continua dividido em três blocos: o senador Sergio Moro lidera, Requião Filho aparece em segundo lugar e Rafael Greca e Sandro Alex seguem tecnicamente empatados na terceira posição. As oscilações registradas em relação ao levantamento de maio permanecem dentro da margem de erro.
Mesmo após dois meses de ter sido apresentado pelo governador Ratinho Junior como seu pré-candidato, Sandro Alex ainda não conseguiu se consolidar na disputa por uma vaga no eventual segundo turno.

Na corrida ao Senado, Cervi também identifica estabilidade. O cenário, porém, é mais pulverizado, especialmente porque o eleitor terá direito a dois votos. Soma-se a isso a indefinição jurídica envolvendo a eventual candidatura de Deltan Dallagnol, o que dificulta prever para onde migrariam seus eleitores. Hoje, parte expressiva desse eleitorado já demonstra afinidade com o deputado Filipe Barros.
Duas pesquisas, dois institutos
A advogada Rafaella Munhoz da Rocha, colaboradora deste jornal e do Paraná Portal, também fez um pente fino sobre as duas pesquisas.
Esta semana o eleitorado paranaense foi medido duas vezes. Dois institutos diferentes. Campo de coleta com apenas três dias de diferença. Mesmo estado, mesmo eleitorado, mesma eleição.
Os resultados divergem em pontos que merecem atenção — e convergem em outros que a narrativa dominante prefere ignorar.
Vamos aos fatos.
O que as duas pesquisas têm em comum
O senador Sergio Moro lidera. Isso ninguém questiona. Entre 42% e 58% dependendo do instituto e da metodologia — a diferença é grande, e voltaremos a ela. Mas a liderança existe.

O deputado Requião Filho aparece estável, entre 19% e 20% nos dois levantamentos. Consistência que dá credibilidade ao método de ambos.
E o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, aparece em 3º lugar nos dois. Com 10% num instituto, com 13,9% no outro. Terceiro lugar consolidado, independentemente de quem mede.
Mas o dado que mais chama atenção — justamente porque aparece igual nos dois — é o do deputado federal Sandro Alex.
O candidato que ainda não decolou
Sandro Alex é apresentado por parte da imprensa como o grande candidato do campo moderado. Tem estrutura, tem apoios, tem visibilidade. Deveria estar crescendo, mas não está.
No Paraná Pesquisas, aparece com 10,7%. No Veritá, com 9,3%. Na rodada anterior do Paraná Pesquisas, estava em 8,6% — cresceu 2 pontos, mas segue atrás de Greca em ambos os levantamentos.

Mais revelador ainda: quando os eleitores são perguntados sobre quem acham que vai ganhar a eleição — não em quem votariam, mas quem eles percebem como mais competitivo — Greca aparece com 12,3% de percepção de vitória. Sandro Alex, apenas 8,2%.
O eleitorado já fez essa conta. Entre os dois candidatos de centro, quem tem mais chances de chegar ao segundo turno é Rafael Greca.
O contexto que a manchete não conta
O Paraná vive hoje um dos melhores momentos de sua história recente. O estado cresce, atrai investimentos, moderniza sua infraestrutura. A aprovação do governo Ratinho Júnior está entre as mais altas do país.
Esse legado não cai do céu. É resultado de gestão. De continuidade. De quem sabe o que está fazendo.
Rafael Greca é o único candidato no campo que pode receber esse legado com credibilidade — porque já provou, em Curitiba, que sabe transformar cidade. Que entrega. Que governa.
Quando o eleitor paranaense olha para os próximos quatro anos, a pergunta não é quem grita mais alto. É quem sabe fazer.
Uma pergunta que fica
As duas pesquisas desta semana foram realizadas por institutos contratados pelo mesmo campo político.
Isso está nos registros públicos do Tribunal Superior Eleitoral — disponível para qualquer cidadão consultar no site do TSE, buscando os registros PR-08570/2026 e PR-06978/2026.
Não é ilegal. É transparente. E é exatamente por isso que é relevante saber.
Quando os números divergem em 15 pontos para o mesmo candidato, na mesma semana, medindo o mesmo eleitorado — a metodologia explica uma parte. O resto, cada leitor tira sua conclusão.
O que os dois levantamentos não conseguem esconder é o seguinte: Rafael Greca está em terceiro lugar nos dois. Com rejeição a mais baixa do campo nos dois. Percebido como mais competitivo que Sandro Alex nos dois.
As pesquisas foram feitas para contar uma história. Os dados contaram outra, pontua Rafaella Munhoz da Rocha.
Como são todos pré-candidatos e nenhum oficial, porque dependem das convenções dos partidos, o que temos a dizer é que, com o baixo índice de crescimento de Sandro Alex, deve ter acendido luz amarela no Palácio Iguaçu que vem tentando trazer Greca para seu lado. O que será difícil.
Greca está rodando o Estado e já apresentando destaques de seu plano de governo, como aconteceu também nesta quarta-feira, em Maringá, onde detalhou a Ferrovia do Vale do Ivaí que, segundo ele, ampliará o potencial de transportes de cargas do agro negócio paranaense.

Quanto ao Senado, as pesquisas, como são ligadas a um partido, insistem em Deltan Dallagnol que, de acordo com instrumentos judiciais, estaria inelegível. De qualquer forma, todos os candidatos, à exceção de Cristina Graeml, estão em condições de disputa, embora o ex-senador Alvaro Dias continue com margem de folga à frente de todos.





