Acompanhe as cidades paranaenses mais suscetíveis ao fenômeno
Análises meteorológicas de centros de monitoramento climático internacionais, sustentam que o El Niño tem 82% de probabilidades de se consolidar no segundo semestre deste ano e avançar para 2027. O fenômeno tende a agravar os efeitos de ondas de calor e estiagem no Brasil.
O El Ninõ é marcado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico e por uma reorganização da circulação atmosférica global.
Pico seria em dezembro
Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño deve se formar entre maio e julho, com pico entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, e deve impactar sobretudo as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com temperaturas mais altas, redução do volume de chuvas e secas.
Enquanto as regiões mais ao norte enfrentam escassez hídrica, calor extremo e queimadas, os estados do Sul convivem com enchentes, deslizamentos e perdas agrícolas causadas pela intensidade das chuvas.
Em eventos fortes
Os chamados “Super El Niño”, quando a anomalia oceânica supera +2 °C —, esses efeitos podem se amplificar. Nos últimos 150 anos, apenas quatro ocorrências atingiram esse patamar: os eventos de 1877–78, 1982–83, 1997–98 e 2015–16.
Os estados mais vulneráveis ao El Niño
Historicamente, o Rio Grande do Sul foi o estado mais afetado pela alteração no padrão de chuvas causada pelo fenômeno. Durante o El Niño, as frentes frias da região Sul interagem com maior disponibilidade de umidade, o que favorece a formação de temporais persistentes. Para o RS, o período mais crítico é a primavera, de setembro a novembro
Entre 2024 e 2025, 478 municípios foram atingidos por enchentes e enxurradas (o equivalente a cerca de 2,4 milhões de habitantes), que resultaram na morte de 185 pessoas no estado. Além da estrutura urbana, a anomalia no regime chuvoso também afetou as safras do estado, que perdeu plantações de arroz, soja e milho, além de ter a pecuária leiteira prejudicada.
Santa Catarina
Santa Catarina, que compartilha com o Rio Grande do Sul o padrão de chuvas acima da média durante o El Niño e é composta por ilhas e formações montanhosas, tem várias regiões vulneráveis aos efeitos do fenômeno. Entre elas estão o Vale do Itajaí, a Serra catarinense e o litoral norte do estado. As cidades em encostas sofrem com risco elevado de deslizamentos e alagamentos.
Segundo os meteorologistas, o aquecimento do oceano Pacífico altera o transporte de umidade para a região Sul, intensificando a formação de áreas de instabilidade.
No Paraná
Embora o fenômeno atinja todo o estado, algumas regiões tendem a sentir os efeitos com mais intensidade devido às características geográficas e urbanas. Curitiba e região metropolitana, com risco maior de chuvas persistentes e alagamentos
Londrina e norte do estado, com aumento de temporais e variações bruscas de temperatura. Maringá e noroeste, com períodos de chuva intensa intercalados com calor acima da média. Cascavel e oeste paranaense, com risco de tempestades mais severas. mFoz do Iguaçu e região fronteiriça, com episódios de chuva volumosa em curtos períodos.
Na prática, o fenômeno tende a reduzir a frequência de ondas de frio intenso e aumentar a presença de massas de ar mais quentes e úmidas. Isso cria um ambiente mais favorável para chuvas prolongadas e eventos climáticos extremos.
A tendência, segundo os especialistas, é de um inverno menos rigoroso e de uma primavera marcada por instabilidade crescente, com impacto direto na rotina das cidades e na agricultura do estado.





