Calor extremo na Europa e eventos climáticos severos no Brasil reforçam a necessidade de cooperação internacional

De acordo com advogada internacional e ex-parlamentar italiana Renata Bueno, é preciso investir em inovação, segurança alimentar e adaptação climática.

As mudanças climáticas estão impondo novos desafios à agricultura mundial e criando oportunidades para ampliar a cooperação entre Europa e Brasil. A avaliação é da advogada internacional, ex-parlamentar italiana e empreendedora Renata Bueno, que atua há anos no fortalecimento das relações entre Brasil e Europa e acompanha de perto os debates internacionais sobre sustentabilidade, segurança alimentar, inovação e desenvolvimento econômico.

Segundo Renata, os efeitos do aquecimento global já são percebidos de forma concreta na economia e na produção agrícola europeia. Na Itália, por exemplo, o aumento das temperaturas tem impactado diretamente a cadeia leiteira, comprometendo a qualidade e a quantidade de leite utilizado na fabricação de produtos tradicionais da gastronomia italiana, como a burrata e outros queijos típicos.

“Estamos observando uma transformação que deixou de ser uma projeção para se tornar realidade. O calor extremo afeta a produtividade, aumenta os custos de adaptação e exige novas estratégias para garantir a competitividade do setor agropecuário”, afirma.

De acordo com ela, a agricultura europeia, historicamente desenvolvida sob condições climáticas mais estáveis, enfrenta o desafio de se adaptar a ondas de calor mais frequentes, secas prolongadas e eventos meteorológicos extremos. Esse processo, explica, demanda investimentos em inovação tecnológica, pesquisa genética, novas técnicas de manejo e políticas públicas voltadas à resiliência climática.

Brasil enfrenta desafios semelhantes
Embora em contextos distintos, o Brasil também está na linha de frente dos impactos climáticos. Ondas de calor, mudanças no regime de chuvas e eventos extremos têm provocado reflexos em importantes cadeias produtivas do agronegócio nacional.

Para Renata Bueno, essa convergência de desafios abre espaço para uma agenda estratégica de cooperação entre os dois países. “Europa e Brasil possuem setores agropecuários fundamentais para a segurança alimentar global. A troca de experiências e o desenvolvimento conjunto de soluções podem gerar benefícios econômicos, ambientais e sociais para ambos os lados”, destaca.

Entre as áreas com potencial para parcerias, ela cita tecnologias de irrigação inteligente, monitoramento climático por inteligência artificial, agricultura regenerativa, bioeconomia e o desenvolvimento de variedades agrícolas mais resistentes às altas temperaturas.

Clima e geopolítica caminham juntos

Além dos impactos sobre a produção agrícola, observa-se que a questão climática passou a ocupar posição central na agenda geopolítica internacional.

Segundo ela, fóruns como o G7 e a União Europeia têm tratado temas como segurança alimentar, transição energética e resiliência climática como elementos diretamente relacionados à segurança nacional. “A guerra na Ucrânia demonstrou como as cadeias globais de abastecimento podem ser vulneráveis. Hoje, falar de clima também é falar de estabilidade econômica, segurança alimentar e desenvolvimento”, afirma.

Mercosul e União Europeia

Nesse contexto, Renata acredita que o acordo entre Mercosul e União Europeia pode representar mais do que uma ampliação das relações comerciais. “Existe a oportunidade de transformar essa parceria em uma plataforma de cooperação voltada para inovação sustentável, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento da segurança alimentar global”, avalia.

Um desafio sem fronteiras

Para Renata Bueno, os impactos observados na produção de alimentos na Itália e os eventos climáticos extremos registrados no Brasil demonstram que as mudanças climáticas não respeitam fronteiras geográficas. “A adaptação tornou-se uma necessidade para governos, empresas e cidadãos. Isso significa investir em inovação, fortalecer instituições e ampliar a cooperação internacional. Não se trata apenas de reagir às crises, mas de preparar nossas sociedades para um futuro que já começou”, conclui.

Na avaliação da ex-parlamentar italiana, Europa e Brasil reúnem conhecimento, capacidade produtiva e capital humano suficientes para liderar soluções voltadas a uma economia mais resiliente e sustentável. “A sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental. Hoje, ela está diretamente ligada ao desenvolvimento, à segurança e à prosperidade global”, finaliza.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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