Presidente da Câmara de Curitiba é alvo do Gaeco sob suspeita de venda de cargos e “rachadinha”

Tico Kuzma (PSD) foi alvo da Operação Prática Corrente. Há um mês, outro vereador, Lórens Nogueira (PP), esteve no foco de ação do MP, sendo tornado réu na Justiça e estando sob ameaça de cassação iminente .

O Núcleo de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, cumpriu na manhã desta segunda-feira (29), em Curitiba, 13 mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal no âmbito da Operação Prática Corrente. O objetivo da ação é apurar a possível prática de venda de cargos públicos na estrutura do Poder Executivo Municipal e do crime de “rachadinha” envolvendo o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, Tico Kuzma (PSD).

As ordens judiciais foram expedidas pela Vara de Garantias da Comarca e cumpridas em endereços ligados aos investigados, entre eles a Câmara Municipal de Curitiba. Durante o cumprimento das medidas, foram apreendidos equipamentos eletrônicos e documentos que serão periciados e poderão auxiliar na continuidade das investigações. Também foi apreendida uma quantia em dinheiro em espécie, cujo valor ainda não foi contabilizado. O Ministério Público não chegou a divulgar os nomes das pessoas que são alvo das investigações.

O nome da operação, Prática Corrente, faz alusão às sucessivas investigações realizadas pelo Ministério Público relacionadas à prática criminosa conhecida como “rachadinha”.

 Leônidas Edson Kuzma, o Tico Kuzma, está em seu sexto mandato como vereador. É graduado em Administração de Empresas. Na manhã desta segunda, em nota, a Câmara Municipal confirmou ter autorizado o acesso dos agentes do Gaeco às dependências da Casa e que permanece à disposição para colaborar com as investigações.

“Tenho orgulho da minha trajetória, da minha fé, dos meus valores cristãos e de sempre ter pautado minha vida pública e pessoal pela honestidade, pela retidão e pelo trabalho. Nenhuma tentativa de ataque, venha de onde vier, vai me desviar da minha responsabilidade com Curitiba, com a Câmara Municipal e com as pessoas que confiam no nosso trabalho. Minha postura será de absoluta tranquilidade, colaboração e compromisso com a verdade”. A manifestação é do vereador, logo após a deflagração da operação e as buscas nas dependências da Casa, que resultaram em apreensão de eletrônicos e documentos.

Há apenas um mês, outro vereador de Curitiba foi alvo do Gaeco/MP sob suspeita de “rachadinha”. O vereador Lórens Nogueira (PP), que foi alvo da Operação Déjà-vu, agora está respondendo processo no Conselho de Ética sob possibilidade iminente de cassação. Quando da operação contra esse parlamentar, em 26 de maio, também foram expedidos 13 mandados de prisão e, durante o cumprimento, houve apreensão de soma vultosa em dinheiro. O desdobramento das investigações provocou consequências tanto na esfera judicial quanto no legislativo municipal. O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou Lórens Nogueira cinco vezes pelo crime de concussão. A Justiça do Paraná (TJPR) aceitou a denúncia, tornando o parlamentar réu.

Somente nas últimas semanas, devido a decisões do Tribunal Regional Eleitoral, a Câmara já tinha sido agitda por três trocas determinadas pela Justiça, com origem em processos por acusação de falsidade em cotas de gêneros em partidos.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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