México vence Equador por 2 a 0 e supera “maldição” que se arrastava há décadas

Um dos anfitriões, os mexicanos seguem 100% na Copa do Mundo e agora esperam o vencedor de Inglaterra e República Democrática do Congo, que, jogam nesta quarta (1°).

Jogando em casa, no Estádio Azteca., a seleção do México venceu o Equador por 2 a 0 e avançou às oitavas de final da Copa do Mundo, sendo o seguindo país anfitrião a conseguir o feito. De quebra, rompeu uma “maldição” que carregava há décadas de não avançar nos mata-matas. Após o apito final da partida disputada entre a noite de terça-feira (30) e a madrugada desta quarta (1°), com o jogo atrasado em uma hora do horário marcado, o treinador local, Javier Aguirre, explodiu de alegria junto com a fanática torcida.

As seleção mexicana, que está 100% na competição até agora, espera o vencedor de Inglaterra e República Democrática do Congo, que se enfrentam nesta quarta (1°). Assim, novamente o México entra em campo no domingo (5), às 21h (de Brasília), no Azteca.

Histórico

Os resultados falam por si. O México avançou da fase de grupos com um aproveitamento de 100%, conquistando nove dos nove pontos possíveis, não sofreu gols nessas quatro primeiras partidas e marcou oito vezes. Foi uma campanha impecável, que prosseguiu com a eliminação de uma equipe sul-americana, representante de uma região que historicamente impõe sua hegemonia, mas que, desta vez, não conseguiu prevalecer diante de El Tricolor.

“O Equador leva você ao limite, mas foi uma grande noite para os mexicanos”, resumiu o técnico após a vitória por 2 a 0. A classificação para as oitavas de final foi apenas parte da conquista; eles deixaram para trás a sensação de que o resultado já estava decidido de antemão. Mesmo com uma vantagem de dois gols, o estádio não assimilou totalmente a vitória até o apito final. O nervosismo era reflexo de anos de infortúnios.

“Sou um daqueles que não conseguiu chegar ao quinto jogo; isso dói muito”, reconheceu Aguirre em entrevista coletiva. Ele diz isso porque conhece essa história por dentro. Carrega esse fardo há anos e, recentemente, analisava o que deu errado naquelas eliminações. Foi eliminado em 2002 pelos Estados Unidos. O mesmo aconteceu em 2010, contra a Argentina. Quando aceitou assumir a seleção pela terceira vez, muitos se perguntaram se aquelas derrotas voltariam com ele, juntamente com dúvidas sobre sua capacidade de dar a volta por cima.

Naquela época, ele herdou uma relação desgastada com a torcida, marcada por muitas esperanças frustradas. Aos poucos, o time restabeleceu uma conexão com as arquibancadas: “Hoje, esse vínculo que criamos com os torcedores nos dá um impulso”. E, atualmente, vive talvez o seu melhor momento.

Antes desta Copa do Mundo, durante a qual ele tem se mostrado mais relaxado, sorridente e disposto a revisitar o seu passado, a última imagem de Javier Aguirre no torneio remontava à Copa da África do Sul, em 2010. Ele chegou à coletiva de imprensa de cabeça baixa e com um boné cobrindo o rosto, após a derrota para a Argentina. Sua postura contrastava com a mensagem que transmitira aos jogadores naquela tarde: “Eu disse a eles para manterem a cabeça erguida, que não haviam roubado ninguém”.

No entanto, as feridas que mais preocupavam Aguirre durante esse processo não eram as suas próprias. Nos meses que antecederam o torneio, ele perdeu jogadores importantes por lesão. Vários dos convocados chegaram com pouco tempo de jogo em seus clubes, enquanto outros enfrentavam jejuns de gols ou temporadas abaixo de seus padrões habituais. A eles juntou-se um grupo de jovens que vivenciavam a experiência de uma Copa do Mundo pela primeira vez: Gilberto Mora, o jovem lançado a campo que teve uma atuação destemida nesta partida, assim como Mateo Chávez em sua estreia, além de Brian Gutiérrez, Obed Vargas e Armando González.

Segundo Julián Quiñones, a força da equipe para a próxima fase é “a união, a família que construímos”. Álvaro Fidalgo reforçou esse sentimento após a vitória, enquanto Armando González acrescentou que o técnico incutiu uma sensação de tranquilidade no elenco. Em campo, o resultado é um time capaz de promover o rodízio de jogadores sem perder sua identidade; as substituições mantêm o ritmo e a organização, além de estimular a competitividade de forma positiva.

Aos 67 anos, Javier Aguirre encontra maior satisfação, tal como acontece em casa, ao falar sobre seus filhos e netos e ao vivenciar o futebol também por meio deles. Ele mantém a personalidade e a centelha de irreverência que o caracterizam na área técnica, mas a idade também lhe proporcionou uma perspectiva diferente sobre o jogo. Ele reconhece sua própria vulnerabilidade e compartilha essa sensibilidade com um grupo de jogadores totalmente comprometidos com o momento que estão vivendo.

Dezesseis anos após sua Copa do Mundo anterior como técnico, o clima é muito diferente, mas o objetivo permanece o mesmo. O México rompeu a barreira que o impedia de avançar desde 1986; no entanto, chegar às quartas de final, o “sexto jogo”, é a meta agora moldada pela expansão do torneio. 

(*) Com fotos e informações da Fifa.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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