Pesquisa IBGE mostra que uso de celular e internet cai entre crianças

De acordo com o levantamento do IBGE, as redes sociais também perderam espaço

Após anos de crescimento contínuo, o acesso à internet e a posse de celulares entre crianças brasileiras de 10 a 13 anos registraram uma leve queda em 2025. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (PNAD TIC), divulgada pelo IBGE, mostra que 84,4% das crianças de 10 a 13 anos utilizaram a internet em 2025, índice ligeiramente inferior aos 84,9% registrados em 2024. A posse de telefone celular também apresentou retração, passando de 56,7% para 55,2% no mesmo período. Isto indica uma possível mudança na forma como famílias, escolas e governos lidam com o uso da tecnologia entre os mais jovens.

Já o percentual de usuários de internet passou de 89,2% em 2024 para 90,5% em 2025. A mesma tendência foi observada na posse de celulares. Nas demais faixas etárias, o número de pessoas com aparelho continuou aumentando, tornando as crianças o único grupo a registrar redução. Para especialistas, os dados podem refletir mudanças recentes no debate sobre os impactos das telas no desenvolvimento infantil.

De acordo com o levantamento do IBGE, as redes sociais também perderam espaço. A pesquisa identificou ainda uma diminuição no uso de redes sociais entre estudantes do ensino fundamental.

Nas escolas públicas, o percentual de alunos que utilizavam essas plataformas caiu de 79,2% em 2022 para 74% em 2025. Já na rede privada, a redução foi de 80,1% para 73,5% no mesmo período.

Os números sugerem que pais e responsáveis estão adotando uma postura mais cautelosa em relação ao acesso de crianças às plataformas digitais.

Entre as crianças que não possuem celular próprio, o principal motivo apontado pelas famílias foi a preocupação com privacidade e segurança, citada por 32% dos entrevistados.

Nos últimos anos, pesquisas e especialistas das áreas de educação, saúde e comportamento têm alertado para possíveis impactos do uso excessivo de telas durante a infância e a adolescência.

Entre os principais problemas apontados estão dificuldades de concentração, prejuízos ao aprendizado, alterações no sono, aumento dos níveis de ansiedade, sintomas depressivos e redução das interações presenciais.

Outro ponto frequentemente citado é o impacto das redes sociais na autoestima de crianças e adolescentes. A exposição constante a padrões de aparência, consumo e comportamento pode contribuir para sentimentos de inadequação e pressão social.

Além disso, especialistas destacam que o excesso de tempo online pode substituir atividades fundamentais para o desenvolvimento infantil, como brincadeiras, esportes, convivência familiar e interação com outras crianças.

O ano de 2025 marcou a entrada em vigor da legislação que restringe o uso de celulares em escolas públicas e privadas de todo o país.

As regras limitam a utilização dos aparelhos durante as aulas, recreios e intervalos, permitindo exceções para atividades pedagógicas autorizadas pelos professores e situações relacionadas à saúde, acessibilidade ou segurança.

 Com CNN Brasil

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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