Alexandre Curi perdeu nas urnas e Ratinho Junior perdeu na estratégia ou teimosia

Alexandre Curi paga a conta de um erro que não cometeu: “Jabuti na árvore”.

A derrota de Alexandre Curi na disputa pelo Senado deixa uma cicatriz, mas não apaga uma história. Seis mandatos na Assembleia Legislativa, uma trajetória construída município por município e uma presença política consolidada no Paraná não desaparecem na madrugada de uma eleição. Curi perdeu uma disputa. Não perdeu sua história.

A derrota não pode ser colocada exclusivamente nas costas de Alexandre Curi. Uma parcela importante dessa conta deve ser apresentada ao governador Ratinho Junior, que demorou demais para escolher o candidato à própria sucessão e, quando finalmente bateu o martelo, deixou pelo caminho dois nomes que carregavam peso, experiência e musculatura eleitoral: Alexandre Curi e Rafael Greca.

Sem capilaridade estadual

Ratinho preferiu apostar no próprio capital político. Com índices de aprovação próximos dos 80%, imaginou que seria capaz de transferir votos quase por osmose. Escolheu Sandro Alex, liderança dos Campos Gerais que não possuía a mesma capilaridade estadual necessária para enfrentar uma eleição em um Paraná politizado, diverso e espalhado por 399 municípios.

O governador foi alertado. Não faltaram sinais amarelos pelo caminho. Ainda assim, manteve sua aposta e levou adiante um projeto que parecia pretender conservar sua influência sobre o Palácio Iguaçu mesmo depois de deixar o governo.

Urna não aceita ordem de gabinete

Quando ficou evidente que Sandro Alex patinava, enquanto Sergio Moro mantinha larga vantagem e colhia os frutos de anos pavimentando sua candidatura ao Palácio Iguaçu, talvez já fosse tarde demais para mudar o roteiro.

Depois que a vaca foi para o brejo, como ensina a velha sabedoria popular, não adianta discutir quem deixou a porteira aberta.

E foi nesse ambiente que Alexandre Curi entrou na disputa pelo Senado e acabou atingido pelos estilhaços de uma estratégia que não nasceu em seu gabinete. O fato de ter obtido mais votos do que o próprio candidato governista ao Palácio Iguaçu é um dado politicamente eloquente: mostra que havia musculatura eleitoral, mas também revela o tamanho da oportunidade desperdiçada.

Hora de se reorganizar e redesenhar seu projeto

Alexandre Curi terá de recolher os pedaços, reorganizar aliados e redesenhar seu projeto. Mas seria um enorme equívoco decretar seu fim político. Aos que conhecem a política paranaense, derrotas eleitorais muitas vezes são apenas vírgulas em histórias muito mais longas.

Curi continua carregando seis mandatos, uma extensa relação com prefeitos e lideranças municipais e um patrimônio político construído ao longo dos anos. As urnas lhe disseram “não” desta vez. Não disseram “nunca”.

E fica a pergunta a   Ratinho Junior: se tivesse escolhido diferente quando ainda havia tempo, a história desta eleição também teria sido diferente?

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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