Novembro Azul: câncer de próstata deve registrar 71,7 mil novos casos por ano no Brasil

Tumor é o mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele, e provoca quase 16 mil mortes anuais no país; atenção aos fatores de risco, aos sintomas e à avaliação médica é fundamental.

O câncer de próstata é o tipo de câncer mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele, segundo o Ministério da Saúde (MS). A previsão é de que sejam registrados cerca de 71,7 mil novos casos anualmente no Brasil. A doença também é responsável por quase 16 mil mortes por ano no país, conforme dados divulgados pelo órgão.

O cenário reforça a importância da conscientização sobre a saúde masculina, tema central da campanha Novembro Azul, especialmente em relação à identificação dos fatores de risco e à avaliação médica. No mundo, o câncer de próstata é o quarto tipo de câncer mais incidente, representando 7,3% do total de novos casos.

O tumor maligno afeta a próstata, glândula localizada abaixo da bexiga e à frente do reto, envolvendo a uretra. Sua função é produzir um líquido que compõe parte do sêmen e ajuda a nutrir e proteger os espermatozoides. Em homens jovens, a glândula apresenta tamanho semelhante ao de uma ameixa, mas tende a aumentar com o avanço da idade.

Identificação dos sinais exige atenção

Embora seja uma doença comum, muitos homens ainda evitam abordar o assunto, seja por medo ou desconhecimento, o que dificulta a prevenção e a identificação do quadro em estágio inicial. Na maioria dos casos, o tumor cresce de forma lenta e assintomática. Em outros, pode evoluir rapidamente e se espalhar para mais órgãos.

Quando há sintomas, os mais comuns são dificuldade para começar ou terminar de urinar, presença de sangue na urina ou no sêmen, diminuição do jato de urina e aumento da frequência urinária ao longo do dia. Esses sinais, no entanto, também podem ocorrer em decorrência de doenças benignas da próstata, como a hiperplasia, caracterizada pelo aumento da glândula, e a prostatite, uma inflamação na região geralmente causada por bactérias.

A indicação para rastrear a doença deve ser individualizada, após avaliação médica dos riscos e potenciais benefícios. Homens sem sintomas devem procurar um médico para exames preventivos a partir dos 50 anos. Para pacientes com histórico familiar de câncer, o rastreamento pode ser recomendado aos 45 anos.

Investigação pode incluir toque retal, exame de sangue e biópsia

Na presença de sintomas, dois exames podem ser utilizados na investigação inicial. Um deles é o toque retal, por meio do qual o médico avalia o tamanho, a forma e a textura da próstata.

Já o exame de Antígeno Prostático Específico (PSA) é um exame de sangue que mede a quantidade de uma proteína produzida pela próstata. Níveis altos podem indicar câncer, assim como outras doenças benignas do órgão.

Quando há alterações no PSA e no toque retal, o médico pode indicar a biópsia. Nesse procedimento, são retirados pequenos fragmentos da próstata para análise em laboratório.

Principal tratamento para o câncer de próstata depende do estágio da doença

A escolha do principal tratamento para o câncer de próstata varia de acordo com o estágio da doença e as características do paciente, como idade, condição clínica, sintomas e presença de outras doenças. Em estágios iniciais, pode ser feita a vigilância ativa do tumor.

Quando a doença está mais avançada, o tratamento pode envolver diferentes abordagens, de acordo com as características de cada caso. Entre elas está o bloqueio hormonal, que pode ser feito por meio de medicamentos, além da radioterapia. A cirurgia, denominada prostatectomia radical, também pode ser indicada e consiste na remoção da próstata.

Nesse contexto, surgem dúvidas sobre para que serve a quimioterapia e como ela se diferencia da radioterapia. Segundo informações da Oncologia D’Or, a quimioterapia é um tratamento sistêmico que utiliza medicamentos para combater células cancerígenas em diferentes partes do corpo. Já a radioterapia utiliza radiação de alta energia direcionada ao tumor.

Entre os principais efeitos da radioterapia estão fadiga, alterações intestinais, náuseas e irritações na região tratada. Em casos específicos, o paciente pode apresentar radiodermite, uma reação inflamatória na pele, além de ardência ao urinar. Os efeitos variam de acordo com o tratamento realizado e as características de cada paciente.

Idade e histórico familiar estão entre os fatores de risco

Existem alguns fatores que podem aumentar as chances de um homem desenvolver câncer de próstata. Entre eles estão idade avançada, histórico de câncer na família, sedentarismo, sobrepeso e obesidade.

A prevenção inclui uma dieta equilibrada e com menor ingestão de gordura, a prática regular de atividade física e a manutenção de um peso saudável. Além disso, é importante evitar hábitos como o tabagismo e o consumo de álcool.

Durante o Novembro Azul, a discussão sobre o câncer de próstata contribui para ampliar o acesso à informação e incentivar os homens a cuidar da saúde, buscar orientação médica e avaliar individualmente a necessidade de exames preventivos.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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