Depois da queda,Trump terá que sair de fininho da Guerra do Irã

A queda de Trump

Acompanhe a resenha da mídia desta quinta-feira (05) em pedroribeironoticias.com.br

A ressaca republicana continua dominando o noticiário. A onda azul que varreu os Estados Unidos ainda não terminou de redesenhar o mapa político: a apuração das últimas disputas para o Senado segue em aberto, mas os democratas já garantiram a maioria, que pode chegar a 56 das 100 cadeiras. Na Câmara, a vantagem é ainda mais contundente: 245 cadeiras contra 147, com outras 43 em disputa. Hakeem Jeffries chamou o resultado de “tsunami americano”. Não exagerou. Até Ron DeSantis, governador republicano da Flórida, descreveu a derrota como um evento próximo da extinção do partido.

Trump permanece na Casa Branca, mas terá pela frente um Congresso hostil e mais de dois anos de mandato. O presidencialismo não permite a troca imediata de governo que ocorreria num regime parlamentarista; permite, porém, que a oposição investigue, fiscalize e bloqueie. Como observou o chanceler alemão Friedrich Merz, Trump vinha governando por decretos executivos sem consultar o Congresso. Por que seria diferente agora? A pergunta é se o presidente aceitará os limites impostos pelas urnas — e se os irmãos Bolsonaro, refugiados na Trumplândia, já encontraram uma rota de saída.

Sair de fininho

Donald Trump continua brilhando no noticiário, depois da sova histórica que levou com os republicanos. Os democratas venceram por todo o país, com maior diversidade e grande renovação dos quadros. Parece que estamos assistindo a uma freada brusca nessa fase de políticas brutais do ponto de vista interno e sobretudo externo, comandada por Trump. Ele precisa sair de fininho da guerra com o Irã e tratar de resolver questões domésticas, o aumento do custo de vida sendo o primeiro deles. Fazer tudo isso debaixo de pancada dos novos comandantes do Congresso é mais difícil, e os dias republicanos na Presidência podem estar contados. A se conferir adiante.

Respingos na Itaipu

Enquanto isso, no Paraguai, a crise provocada pelo colapso do Ueno Bank ameaça arrastar o governo de Santiago Peña e respingar na Itaipu Binacional. Há suspeitas de que recursos do fundo previdenciário dos funcionários da margem direita tenham sido aplicados na instituição, mediante uma autorização extraordinária da diretoria. O Brasil precisa acompanhar de perto a crise e esclarecer os negócios da binacional com o banco.

Recuo de Alcolumbre

No Congresso brasileiro, Alcolumbre recuou da votação açodada da redução da maioridade penal, devolvendo o tema à Câmara e irritando o PL. Depois de entregar ao governo a aprovação da PEC da Segurança, o presidente do Senado parece ter recalculado a rota diante da candidatura de Rogério Marinho à sua sucessão.

Recado Wall Street

E, para completar a semana, Wall Street celebrou a derrota republicana com o melhor pregão pós-eleitoral em 44 anos. O Dow Jones subiu 3%, enquanto os juros dos títulos públicos caíram e o petróleo recuou. O mercado americano parece apostar que um Congresso democrata conterá os excessos fiscais e políticos de Trump. Já os nossos farialimers seguem inconsoláveis com a vitória de Lula.

[Pedro Santafé – Observatório de Madrid

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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