Prevenção e cuidado: o caminho para manter a saúde vascular longe dos quadros de emergência

Por Haila Almeida – Na passagem do Dia Mundial da Saúde, reforça-se que doenças vasculares podem ser evitadas com acompanhamento regular e mudanças simples na rotina.

O Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, propõe uma reflexão além do tratamento de doenças. A data convida cada pessoa a pensar sobre como o cuidado diário e a prevenção transformam a relação com o próprio corpo. No campo da saúde vascular, essa mudança de perspectiva é urgente: milhões de brasileiros convivem com sintomas que ignoram ou normalizam, sem saber que pequenas atitudes poderiam evitar o agravamento do quadro.

As doenças vasculares estão entre as condições crônicas mais frequentes no país. A insuficiência venosa, por exemplo, atinge cerca de 45% da população adulta, de acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. Varizes, inchaço, sensação de peso e dor nas pernas tornam-se parte da rotina de tanta gente. O problema é que esses sinais, quando negligenciados, evoluem para quadros mais sérios, como úlceras varicosas, trombose venosa profunda e embolia pulmonar.

A dificuldade começa justamente quando os sintomas iniciais são silenciosos ou atribuídos ao cansaço do dia a dia. Uma mulher que passa oito horas em pé no trabalho sente as pernas pesadas e acredita ser normal. Um homem com histórico familiar de varizes percebe pequenos vasinhos e não dá importância. O sedentário que começa a sentir cãibras noturnas atribui o incômodo à idade. Em todos esses casos, a oportunidade de prevenir complicações futuras se perde.

A prevenção é o que permite ao paciente envelhecer com qualidade, sem precisar correr para o pronto-socorro com uma trombose ou uma ferida na perna. O cuidado com a saúde vascular não começa quando a dor aparece. Ele começa muito antes, na consulta de rotina com um especialista, na avaliação de quem tem pais com varizes, na orientação sobre a atividade física correta, no ajuste da alimentação e da hidratação.

A recomendaçao que entre as medidas preventivas mais eficazes estão os exercícios físicos adequados. Caminhada, natação, hidroginástica e ciclismo leve fortalecem a panturrilha – estrutura muscular essencial para bombear o sangue de volta ao coração. A hidratação correta mantém a viscosidade do sangue em níveis adequados, reduzindo o risco de formação de coágulos. A alimentação pobre em sódio e rica em fibras evita a retenção de líquidos e o sobrepeso, dois inimigos da circulação.

O uso correto de meias de compressão, quando indicado, também funciona como ferramenta de prevenção para quem passa muito tempo em pé, viaja de avião com frequência ou pratica atividades de impacto. A meia de compressão graduada, prescrita por um especialista, ajuda o sangue a subir das pernas para o coração. É um cuidado simples, mas que faz diferença enorme no longo prazo.

Cuidar da saúde vascular é um processo contínuo, que envolve escolhas diárias, atenção aos sinais do corpo e visitas regulares ao especialista. Quanto mais cedo esse cuidado começa, maior a chance de manter as pernas saudáveis, livres de dor e de complicações. A melhor notícia é que, na maioria das vezes, a prevenção não exige grandes sacrifícios – apenas consciência e regularidade.

(*) Haila Almeida é médica cirurgiã vascular e fundadora do Instituto Alphaveins, clínica referência em medicina vascular de alta performance.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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