Pesquisa mostra atual grau de descrédito dos ministros do STF

Visão da maioria dos entrevistados é de que os magistrados não demonstra competência e imparcialidade no julgamento dos processos. Toffoli é o mais desgastado.

Pesquisa AtlasIntel/Estadão, divulgada na sexta-feira (20), coloca o Supremo Tribunal Federal e seus ministros no pior cenário de imagem institucional. Nada menos do que 60% dos brasileiros indicam não confiar no trabalho e nos ministros, enquanto 34% dizem confiar. Mostra queda 15% na confiança desde o segundo semestre do ano passado, quando a Corte esteve no protagonismo por conta do julgamento dos núcleos da chamada trama golpista e na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em janeiro de 2023, início do governo Lula, confiança e desconfiança do STF empatavam em 45%, enquanto 10% não opinavam.

Como são habituais em pesquisas eleitorais, em especial em anos de disputa de votos, os acontecimentos de repercussão positiva ou negativa tendem a mostrar os movimentos da gangorra. No atual momento, o escândalo do Banco Master e respingos malcheirosos em integrantes da Corte impactam na leitura feita pelas pessoas. O desgaste aparece em todos os segmentos da população e Dias Toffoli é o ministro com a imagem mais corroída, alcançando 81% dos entrevistados. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flavio Dino igualmente apresentam alto índice de rejeição: 67, 59 e 58% respectivamente.

Na outra ponta, como reflexo de sua atuação em duas das principais ações que prendem a atenção do País hoje – INSS e Master -, André Mendonça tem 43% de avaliação positiva, ante 36% de negativa. Diríamos que ele está com cartão amarelo no momento.

No levantamento em que 2.090 pessoas foram ouvidas entre os dias 16 e 19 de março, por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), 59,9% dos entrevistados firmaram entender que a maioria dos ministros não demonstra competência e imparcialidade no julgamento dos processos. Este cenário tende a causar influência nas eleições de outubro, em especial para os cargos de senadores, sob o propago de dificultar a vida de ministros atuais e futuros do Supremo. Quer dizer, até lá, muita água vai passar sob a ponte.

Ainda sob a expectativa da delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, que pode acrescentar ingredientes ainda mais apimentados no menu dos três poderes, o STF pode ser colocado em condições de descrédito ainda maior perante à sociedade. Em sua coluna no UOL, publicada neste domingo (22), o juiz aposentado Wálter Maierovitch foi contundente já no título: “População dá cartão vermelho aos ministros do STF”. Analisando que Dias Toffoli foi desaprovado por 81% dos consultados, e em que 49,3% veem o impeachment como remédio apropriado, cita o colunista: “Existisse um sistema de recall, instrumento importante das democracias representativas, Toffoli perderia, pela desconfiança popular, o cargo e a função e amargaria o opróbrio, a desonra pública”.

Em sua análise, o ex-magistrado é crítico com toda a Corte, observando que “numa democracia, o poder é do povo e que todos os órgãos de poder, como são os ministros, representam o povo”. Enxerga, assim, que as decisões do STF são dadas em nome do povo brasileiro. Mais adiante, observa que, numa República, ninguém está acima  da Constituição e das leis, mas que “o STF mostrou que possui ministros que se imaginam acima da lei. Pior, mostraram falta de imparcialidade e condutas desviantes. Perderam as noções éticas fundamentais ao exercício do cargo”.

E finaliza seu artigo de forma incisiva: “Chegou o momento da partida. Espera-se que eles não atrasem”.

Ministros Dino, Mendonça, Alexandre e Toffoli. Avaliações diferentes pela população.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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