Ex-vereadora de Curitiba e ex-deputada estadual, ela tinha 82 anos. Despedida será nesta quarta (25). Assembleia emitiu nota de pesar.
Faleceu nesta terça-feira (24) em Curitiba, aos 82 anos, a ex-vereadora e ex-deputada estadual Arlete Ivone Caramês, fundadora do Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida no Paraná e que teve papel relevante na criação, em 1995, do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride).
A Assembleia Legislativa do Paraná, por meio de sua Comissão Executiva, emitiu nota de pesar pela morte da ex-parlamentar, reforçada com a manifestação do presidente da Casa, Alexandre Curi, que destacou a trajetória de luta incansável da mãe que que transformou a dor pessoal em mobilização social.
Arlete Caramês liderou a mobilização pelas crianças desaparecidas logo após o drama vivido com a busca ao filho Guilherme Caramês Tiburtius, visto pela última vez em 17 de junho de 1991, quando brincava de bicicleta nos arredores da casa do pais, no bairro Jardim Social, em Curitiba. Foi o caso de desaparecimento infantil de maior repercussão no Paraná e um dos maiores do Brasil.
Nascido em 15 de janeiro de 1983, Guilherme tinha pouco mais de oito anos de idade. O mistério de seu sumiço perdura até os dias atuais, quase 35 anos depois. Apesar dos esforços dos organismos de segurança e a campanha de ganhou corpo em todo o País, com milhares de inserções de sua foto em meios informativos, de publicidade e de comunicação, nenhuma pista foi produtiva.
Graças à ação liderada por Arlete Caramês, grande número de crianças foram resgatadas e, ao mesmo tempo, possibilitou a criação de mecanismos de prevenção, segurança e de divulgação de casos de desaparecimentos. Nascida em Porto União (SC), em 15 de setembro de 1943, Arlete, que era bancária, buscou na política uma forma de aumentar o ativismo em prol das crianças sumidas.

Em 1998, ela concorreu à Câmara dos Deputados, mas não se elegeu. Em 2000, foi eleita vereadora de Curitiba com a segunda maior votação daquele pleito. Em 2002, Arlete foi eleita deputada estadual, com 22.736 votos, pelo PPS, e assumiu cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná, onde chegou ao cargo de 3ª vice-presidente da Casa. No Parlamento, manteve como prioridade a defesa das crianças e o apoio às famílias atingidas por desaparecimentos, transformando sua dor pessoal em ação pública permanente.
Ewaldo Oscar Tiburtius, o pai de Guilherme, tinha 66 anos quando do rumoroso caso, que ganhou repercussão nacional. Ele veio a faleceu em julho de 2024, aos 99 anos. O menino morava com os pais e também com a avô materna, Sueli Caramês. Arlete faleceu no Hospital Onix, em Curitiba. O corpo será velado na Capela Cristal, da Vaticano, e a despedida será Pas 12h desta quarta-feira (25), no Crematório Vaticano, em Almirante Tamandaré.
Nota da Alep
“A Assembleia Legislativa do Paraná se solidariza com os familiares de Arlete Caramês, que deixa um legado de luta, solidariedade e mobilização social que ultrapassa mandatos e cargos públicos. Sua trajetória permanece associada à defesa dos direitos das crianças e à esperança de milhares de famílias que ainda aguardam por notícias de seus filhos desaparecidos.”





