Malucelli pontua problemas que o Brasil precisa enfrentar: corrupção, falta de projeto político e descrédito institucional
“As bombas que caem no Oriente Médio também explodem nas bombas de gasolina do Brasil.” A síntese, direta e incômoda, foi feita pelo presidente da Fetranspar, Sergio Malucelli, ao encerrar o evento que debateu o futuro do transporte de cargas no país, durante a celebração dos 33 anos da entidade.
Ao mirar o Estreito de Hormuz — gargalo vital do petróleo global —, Malucelli foi além da geopolítica: trouxe a guerra para o cotidiano brasileiro. Menos oferta, mais tensão, preços mais altos. E, no fim da cadeia, quem paga é o consumidor — com impacto direto sobre o frete, a inflação e a competitividade nacional.
Mesmo limitado fisicamente por um procedimento no joelho, o dirigente não economizou no diagnóstico. Diante dos pré-candidatos Sergio Moro e Rafael Greca, listou os entraves crônicos do país: descrédito institucional, corrupção persistente, radicalização política e, sobretudo, a ausência de um projeto nacional minimamente consistente.
Moro seguiu sua cartilha. Voltou a atacar a corrupção, mirando o governo Luiz Inácio Lula da Silva e episódios envolvendo Fábio Luís Lula da Silva. Também elevou o tom na segurança pública, defendendo uma espécie de “barreira” para proteger o Paraná — conceito que carece mais de explicação do que de aplauso.
Já Greca preferiu o caminho da memória e da retórica. Falou dos “caminhos do Paraná”, evocando estradas e cultura como vetores de desenvolvimento. No entanto, trocou a contemplação pelo palanque ao cravar, sem rodeios: será candidato ao governo. E mais — alinhado ao presidente da Assembleia, Alexandre Curi.
No fim, o evento que deveria discutir logística revelou algo maior: o Brasil continua refém não apenas de gargalos externos — como guerras e petróleo —, mas, principalmente, de suas próprias travas internas. E estas, ao contrário das crises internacionais, já deveriam estar resolvidas há muito tempo.





