Moro e a “barreira de proteção” contra a criminalidade

Sergio Moro

Moro, no encontro empresarial, reafirmou o compromisso com o empresário Edson Vasconcelos, que será seu vice

Em um evento que discutia o futuro dos transportes no Brasil — realizado na semana passada, em Curitiba — o senador e pré-candidato do PL ao Governo do Estado, Sergio Moro, optou por ignorar o tema central. Em vez de apresentar propostas ou ao menos um diagnóstico sobre a infraestrutura logística, recorreu ao roteiro já conhecido: corrupção e críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Diante de um público de aproximadamente 200 pessoas, formado majoritariamente por representantes do setor de transporte de cargas, Moro desperdiçou a oportunidade de dialogar com quem vive, na prática, os gargalos das estradas brasileiras. Preferiu investir em ataques políticos deixando de lado aquilo que se esperava: uma visão concreta — ou ao menos consistente — sobre a malha rodoviária do Paraná.

Ainda que tenha reconhecido avanços na segurança pública do Estado, o senador não abriu mão do tom alarmista. Afirmou que “há muito a fazer” e voltou a defender a necessidade de uma espécie de “barreira de proteção” contra a criminalidade — expressão forte, mas vaga, que pouco contribui para o debate prático.

No fim das contas, o que se viu foi mais do mesmo: um discurso que ecoa palanques, mas que pouco dialoga com as demandas reais de um setor vital para a economia. E, nesse caso, o silêncio sobre transportes falou mais alto do que qualquer crítica ensaiada.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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