Juros em alta fazem brasileiros pagarem mais de 60% ao ano e buscarem revisão na Justiça

Por Tony Santtana

As taxas de juros cobradas em empréstimos e financiamentos no Brasil continuam em patamar elevado e podem ultrapassar 60% ao ano em algumas modalidades de crédito para pessoas físicas, como o empréstimo pessoal não consignado, segundo dados recentes divulgados pelo Banco Central. Esse avanço ao longo dos últimos meses tem impacto direto no custo do crédito e no orçamento das famílias, que vêm comprometendo uma parcela cada vez maior da renda com dívidas.

Na prática, esse movimento acompanha o cenário de juros básicos ainda altos no país. A taxa Selic permaneceu em níveis elevados nos últimos anos e, mesmo com oscilações recentes, segue influenciando diretamente o custo das operações financeiras. O resultado aparece no dia a dia do consumidor, que encontra crédito mais caro em linhas como empréstimo pessoal, financiamento e até no uso do cartão de crédito.

Esse contexto também tem chegado com mais frequência ao Judiciário. O Código de Defesa do Consumidor permite a revisão de contratos quando há desvantagem excessiva, especialmente quando os juros cobrados estão significativamente acima da média de mercado. Nesses casos, decisões judiciais costumam utilizar como referência os índices divulgados pelo próprio Banco Central para avaliar possíveis abusos.

Para o advogado Tony Santtana, o momento pede mais atenção antes de assumir qualquer compromisso financeiro. “Muita gente olha apenas o valor da parcela e não avalia o custo total da operação. Quando os juros fogem muito da média praticada no mercado, é possível buscar a revisão judicial do contrato para reequilibrar a relação”, explica. Segundo ele, informação e cautela são fundamentais em um cenário de crédito mais caro e maior exposição ao endividamento.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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