Para presidente, em 2026 o eleitor está mais indeciso que em 2022

Acaba de sair pesquisa quadrimestral da CNT/MDA e, com isso, podemos comparar as manifestações espontâneas de voto para presidente de abril de 2026 com as de maio de 2022 e identificar onde estão as diferenças e semelhanças entre os dois períodos pré-eleitorais.

Até aqui, tudo indica que não teremos – novamente – uma eleição de realinhamento. Os eleitores continuam se dividindo entre duas principais opções – as mesmas da eleição anterior. Então, existe uma diferença importante entre os dois momentos registrado pela CNT/MDA? Sim.

 Considerando o mesmo momento pré-eleitoral, em 2026 temos mais “não-voto” espontâneo do que tínhamos em 2022. Os indecisos agora representam 39%, contra 27% de 2022. Some a esses 12 pontos percentuais de diferença, outros três pontos a mais de brancos de nulos (vai de 6% a 9%).

Isso nos dá algo em torno de 15 pontos percentuais a mais de eleitores que não citam nenhum candidato em 2026, mas que em 2022 já apresentavam um nome espontaneamente. Olhando para outros candidatos citados, a proporção é praticamente a mesma nas duas eleições, entre 7% e 6%.

Isso indica tendência de disputa bipartidária. Em outras palavras: a diferença a mais de “não-votos” não se dá por redução na citação de outros candidatos, que continua o mesmo. O cenário pode mudar durante a campanha, o que afastaria 2026 do que tem ocorrido até então.

Se comparar Lula de 2022 (33%), na oposição, com Jair Bolsonaro (27%), à reeleição, temos uma diferença de 6 pontos percentuais. Se comparar Lula de 2026 (29%), à reeleição, e Flávio Bolsonaro (17%), na oposição, a diferença fica em 12 pontos percentuais, o dobro da anterior.

Se comparar Lula 2022 com Lula 2026 a diferença fica em -4 pontos percentuais na atual disputa. Se compararmos Flávio Bolsonaro de 2026 com Jair Bolsonaro de 2022, a diferença é de -10 pontos percentuais para a atual disputa.

Assim, o candidato Bolsonaro contribui duas vezes mais com o crescimento de “não-voto” em 2026 do que o candidato Lula. Do que se depreende que em 2022 Lula na oposição estava melhor que o pré-candidato Bolsonaro à reeleição e do que Lula, em 2026, como pré-candidato à reeleição.

Já o Bolsonaro (Jair) da disputa em 2022 estava pior que o Lula de 2022, empatado tecnicamente com o Lula de 2026 e bem melhor que o Bolsonaro (Flávio) da disputa de 2026, que apresenta o pior desempenho entre os quatro nas duas disputas em citações espontâneas no mesmo período.

Está cada vez mais evidente que qualquer mudança no cenário atual dependerá muito mais de variações do atual “não-voto” do que entre aqueles que já estão com posição a favor de algum candidato.

A análise é do professor e cientista político, Emerson Cervi

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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