Brasil, o perdedor na briga de Lula com o Congresso

“Cada macaco no seu galho. Eles legislam e eu governo”. Recado do presidente Lula ao Congresso Nacional.

Ao acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) na medida governamental que objetiva taxar os mais super-ricos com Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o presidente Lula justifica: “Cada macaco no seu galho. Eles legislam e eu governo”.

Esta pontual declaração do presidente Lula endereçada ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, acirra o confronto entre o Executivo e o Legislativo nacional.

Vemos, hoje, um presidente que acha que ainda está nos tempos em que bastava conversar com meia dúzia de líderes para tocar o País. Do outro, um Congresso que virou superpoder, dominado por um centrão faminto por cargos, emendas e protagonismo.

Em nome de um governo voltado aos pobres, o presidente Lula tenta impor pautas como a taxação dos super-ricos, regulamentação das redes sociais e gastos sociais maiores. No entanto, bate de frente com uma Câmara que quer controle da pauta, emenda no bolso e um governo que aceite sem reclamar.

O Palácio do Planalto reage com firmeza e acusa sabotagem e fala em golpe branco. Mas na prática, negocia mal, escolhe mal seus interlocutores e subestima o novo jogo político de Brasília. Resultado: derrotas atrás de derrotas.

Lula vai ao Supremo Tribunal

Nesta guerrinha tola, quem perde é o país. Faltam diálogo verdadeiro, articulação profissional e, principalmente, humildade dos dois lados. O Brasil não precisa de heróis nem de donos do poder — precisa de responsabilidade.

Lula foi ao Supremo Tribunal Federal. Disse que a medida é necessária para garantir que consiga governar o país. Segundo ele, Hugo Motta tomou uma “decisão absurda” ao pautar o projeto que anulava as medidas tomadas pelo governo, mesmo após uma reunião em que um acordo sobre o tema havia sido construído.

“O presidente tem que governar o país, e decreto é coisa do presidente. Você pode ter um decreto legislativo quando há inconstitucionalidade. O governo tem o direito de propor ajustes no IOF, sim. Estamos propondo um reajuste tributário para beneficiar os mais pobres. O dado concreto é que os interesses de poucos prevaleceram na Câmara e no Senado, o que é um absurdo” declarou Lula.

 

 

 

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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