Por enquanto, Ratinho Junior demonstrou força. Ainda não demonstrou que a força veio acompanhada de juízo estratégico, observa Rafaela Munhoz
Por Rafaella Munhoz da Rocha Lacerda
Ao escolher Sandro Alex, o governador quis demonstrar comando. E demonstrou. O problema é que, em política, força sem estratégia pode virar apenas um gesto barulhento.
O ponto não é saber se Ratinho tinha poder para escolher. Tinha. O ponto é outro: se escolheu o nome certo para a disputa que precisa vencer.
E, até aqui, essa resposta está longe de ser evidente.
Sergio Moro lidera os cenários mais recentes para o governo do Paraná. Ou seja: Ratinho não escolheu um sucessor para administrar vantagem. Escolheu um sucessor para enfrentar um adversário que já larga na frente.
Isso exigia uma decisão politicamente sólida, eleitoralmente racional e internamente convergente.
O que se viu foi outra coisa. Sandro Alex foi apresentado como nome do governador, mas não como nome naturalmente consolidado do campo governista. Quando isso acontece, a escolha deixa de parecer estratégia e começa a parecer imposição.
E imposição, em sucessão, tem custo.
Porque sucessão bem conduzida não é a que apenas confirma a vontade do líder. É a que organiza o grupo, reduz atritos e produz uma candidatura competitiva.
Hoje, nenhuma dessas três coisas parece plenamente resolvida.
Rafael Greca segue no tabuleiro. Continua sendo um nome politicamente relevante, com recall, densidade e capacidade real de produzir desconforto no desenho que Ratinho tentou impor.
E é exatamente aí que a escolha de Sandro Alex começa a revelar sua fragilidade.
Ratinho quis manter o processo sob seu comando. Mas, ao fazer isso de maneira abrupta e pouco agregadora, corre o risco de produzir o oposto do que buscava: em vez de preservar controle, pode estar acelerando sua perda.
Porque há uma linha muito fina entre liderar uma sucessão e desorganizá-la pela ansiedade de comandá-la sozinho.
Em grupos muito fortes no poder, esse é um erro clássico: confundir autoridade com capacidade automática de transferência. Não basta escolher. É preciso convencer. Não basta anunciar. É preciso pacificar. Não basta apontar. É preciso mostrar viabilidade.
Por enquanto, Ratinho Jr. demonstrou força. Ainda não demonstrou que a força veio acompanhada de juízo estratégico.
Se Sandro Alex não crescer rápido, se Moro continuar ocupando com folga a dianteira e se Greca seguir como polo alternativo de densidade política, a escolha deixará de ser vista como ato de liderança.
Passar a ser lembrada como erro de condução.
No fim, o dilema do governador é simples: ele escolheu um nome para manter a sucessão sob seu controle.
Agora terá de provar que, ao fazer isso, não transformou a própria sucessão no seu maior problema.
Rafaella Munhoz da Rocha Lacerda é advogada, titular da FMR Advocacia e gestora jurídica com mais de 20 anos de experiência. Possui formação e especializações em gestão de processos, gestão de pessoas, metodologias ágeis, inteligência artificial, business coaching e mentoria.





