Ratinho Junior e Sergio Moro discursam na Expoingá, um novo palco democrático. Cada um vendendo seu produto
As exposições e feiras do agronegócio paranaense se transformaram, neste momento, no palco mais quente — e mais conveniente — do debate político no Estado. Nesta sexta-feira (08), na Expoingá, em Maringá, enquanto o governador Ratinho Junior destacava o perfil “tocador de obras” do candidato à sua sucessão no Palácio Iguaçu, Sandro Alex, o senador Sergio Moro repetia o roteiro já conhecido: críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o discurso de que “o Paraná merece mais”.
Ratinho Junior e Sergio Moro ficaram separados por menos de 100 metros — distância pequena no espaço físico, mas suficiente para mostrar que cada um joga um jogo diferente. Moro, em entrevista à imprensa, elogiou o atual governo estadual, reafirmando que Ratinho não é seu inimigo. Ao mesmo tempo, deixou claro o recado eleitoral: segundo ele, consegue fazer melhor, especialmente nas áreas da Saúde e Segurança Pública. A velha estratégia de elogiar sem deixar de marcar território.

Já o governador preferiu o caminho mais confortável para quem está no poder: falar de obras, cifras e investimentos. Visitou estandes, anunciou R$ 56,6 milhões para a construção de um estacionamento de cinco andares no Parque de Exposições e para a remodelação do Pavilhão da Unimed, com um novo Centro de Eventos. Política? Nem de longe. Afinal, em ano pré-eleitoral, gestor que aparece inaugurando concreto tenta evitar fotografias no palanque do desgaste.
Recursos para ampliar a Expoingá
O prefeito Silvio Barros seguiu a mesma linha protocolar, afirmando que os recursos acompanham o crescimento da cidade e estimulam novos negócios. Já o deputado Ricardo Barros também preferiu desviar da disputa pelo Governo do Estado, concentrando as entrevistas no convite ao público para visitar a Expoingá, que espera receber 1 milhão de pessoas e movimentar mais de R$ 1 bilhão em negócios.
No fim, a feira do agro vai cumprindo um papel curioso: enquanto o setor produz negócios, a política aproveita para produzir narrativas. Cada um no seu quadrado — e todos de olho em 2026.





