Curitiba lidera ranking de qualidade de vida entre as capitais

Entre 5.570 municipalidades, Curitiba também se destaca e aparece em 5° lugar. Entre os Estados, o Paraná aparece em 4° lugar no Índice de Progresso Social Brasil 2026.

Curitiba encabeça mais uma vez o ranking da qualidade de vida entre as capitais brasileiras, de acordo com o Índice de Progresso Social 2026, divulgado nesta quarta-feira (20/5) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. No comparativo com todas as 5.570 municipalidades avaliadas, Curitiba também aparece na quinta posição e é a primeira paranaense enquadrada entre as 20 primeiras; depois vêm Cornélio Procópio, em 8° e Maringá em 14°.

A cidade paulista de Gavião Peixoto lidera pelo 3º ano seguido o IPS, seguida de outras três de São Paulo: Jundiaí, Osvaldo Cruz e Pompéia. Na outra ponta, a cidade de Uiramutã (RR) aparece na última posição. Nada menos do que 19 das 20 municipalidades com os piores índices ficam no Norte e Nordeste. Nas pontuações das Unidades da Federação, o ranking posiciona o Paraná em 4° lugar, com 65,21 pontos, atrás do líder Distrito Federal (70,73 pontos), de São Paulo (97,96) e de Santa Catarina (65,21). Pará (55,80), que é o pior ranqueado, acolhe a maioria das cidades mais mal avaliadas.

Curitiba e os investimentos

O prefeito Eduardo Pimentel atribui os bons resultados aos esforços realizados por toda a cidade para oferecer as melhores estruturas e serviços para o cidadão: “Para Curitiba, esse resultado é motivo de orgulho e mostra que estamos no caminho certo. O IPS promove um pente-fino em dados e indicadores que medem a qualidade de vida nas cidades brasileiras e, entre eles, vários estão relacionados à oferta de serviços públicos municipais”.

Pimentel reforça que “temos atuado fortemente na educação, na saúde, na geração de empregos, no investimento em meio ambiente e sustentabilidade e no maior pacote de obras da história do município. Isso é possível porque temos um forte compromisso com a responsabilidade fiscal, como demonstra a nota A+, concedida pelo Tesouro Nacional. A partir dessa saúde financeira, conseguimos realizar investimentos em toda a cidade, melhorando a vida dos curitibanos”.

A florada das cerejeiras no Parque Tanguá.

As dificuldades

Como explica Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil, o modelo de captação do índice “surge de um entendimento de que desenvolvimento econômico, por si só, não corresponde necessariamente a desenvolvimento social. A proposta é medir o que realmente importa na vida das pessoas, diferente de métricas tradicionais, que olham principalmente o quanto foi gasto em determinada área, para olhar o que de fato as pessoas se beneficiaram com o investimento que foi feito”.

Falando sobre Curitiba, ela destaca que para alcançar uma pontuação alta, um município precisa apresentar bom desempenho de forma sistemática, consistente e equilibrada entre todas as áreas avaliadas pelo índice. “Curitiba é uma das capitais que tem um desempenho elevado em praticamente todas essas áreas, em especial no componente de qualidade do meio ambiente, com indicadores que olham para áreas verdes urbanas, emissões de CO2 e desmatamento”, diz a coordenadora.

Ainda de acordo com Melissa, mesmo as capitais com melhor desempenho no índice ainda enfrentam desafios importantes. “Nenhum município brasileiro está livre de fragilidades ou áreas que exigem atenção. Curitiba é um município que tem uma fragilidade dentro do tema de inclusão social, em indicadores como famílias em situação de rua, que precisam de atenção dentro dessa capital”, afirma.

  • Municípios com pontuações mais altas no IPS Brasil 2026

Pontuações dos 20 municípios brasileiros com os desempenhos mais altos no IPS Brasil 2026, com exceção do distrito de Fernando de Noronha (PE)*.

  1. Gavião Peixoto (SP) — 73,10
  2. Jundiaí (SP) — 71,80
  3. Osvaldo Cruz (SP) — 71,76
  4. Pompéia (SP) — 71,76
  5. Curitiba (PR) — 71,29
  6. Nova Lima (MG) — 71,22
  7. Gabriel Monteiro (SP) — 71,16
  8. Cornélio Procópio (PR) — 71,16
  9. Luzerna (SC) — 71,10
  10. Itupeva (SP) — 71,08
  11. Rafard (SP) — 71,08
  12. Presidente Lucena (RS) — 71,05
  13. Adamantina (SP) — 70,97
  14. Maringá (PR) — 70,87
  15. Alto Alegre (RS) — 70,86
  16. Ribeirão Preto (SP) — 70,80
  17. Brasília (DF) — 70,73
  18. Barra Bonita (SP) — 70,71
  19. Araraquara (SP) — 70,70
  20. Águas de São Pedro (SP) — 70,66

*O IPS Brasil considera Fernando de Noronha (PE) como município no ranking, por reunir os dados necessários para o cálculo do índice.

Líder do ranking

Apontada pelo IPS 2026 como a melhor cidade para se viver no Brasil, pelo terceiro ano consecutivo, Galvão Peixoto recebeu nota 73,1 numa escala que vai de 0 a 100. Conhecida pela tranquilidade típica do interior de São Paulo, a cidade tem 4,7 mil habitantes e se destaca pela evasão escolar quase zerada (98,6% das crianças estão matriculadas), ausência de fila por vagas na rede municipal e por ter um dos maiores PIBs per capita do Brasil, impulsionado pela presença da fábrica de aviões militares da Embraer. No conjunto, mostra infraestrutura urbana, serviços públicos funcionais e qualidade de vida.

Além dos indicadores sociais que colocam Gavião Peixoto em destaque nacional, o município também chama atenção por curiosidades incomuns no interior paulista. Apesar da qualidade de vida elevada, a cidade não possui maternidade. Por isso, os bebês de famílias gavionenses nascem em hospitais de Araraquara, mas todas as crianças são registradas oficialmente como naturais de Gavião Peixot

Outra marca curiosa da cidade fica no bairro Nova Pauliceia, a cerca de 3 quilômetros do centro. O local ficou conhecido pelas coxinhas “de peso”, que chegam a 450 gramas e atraem visitantes de várias cidades da região. O comércio é administrado por Bel da Coxinha, que se mudou para Gavião Peixoto há sete anos e transformou a receita em principal fonte de renda da família. Sabores como carne seca, costela e frango com requeijão cremoso estão entre os mais procurados e ajudaram a movimentar o pequeno bairro.

Vista aérea de Gavião Peixoto (SP) — Foto: Divulgação/Prefeitura

Vista aérea de Gavião Peixoto (SP) — Foto: Divulgação/Prefeitura.

Pontuações das Unidades da Federação no IPS Brasil 2026

  1. Distrito Federal — 70,73
  2. São Paulo — 67,96
  3. Santa Catarina — 65,58
  4. Paraná — 65,21
  5. Minas Gerais — 64,66
  6. Goiás — 64,52
  7. Mato Grosso do Sul — 64,14
  8. Espírito Santo — 63,61
  9. Rio de Janeiro — 63,47
  10. Rio Grande do Sul — 63,39
  11. Paraíba — 62,39
  12. Sergipe — 62,10
  13. Rio Grande do Norte — 61,83
  14. Mato Grosso — 61,38
  15. Ceará — 61,22
  16. Pernambuco — 60,58
  17. Tocantins — 60,50
  18. Piauí — 60,48
  19. Roraima — 59,65
  20. Amazonas — 59,34
  21. Alagoas — 58,97
  22. Bahia — 58,72
  23. Rondônia — 58,60
  24. Amapá — 58,10
  25. Acre — 58,03
  26. Maranhão — 57,59
  27. Pará — 55,80

O IPS Brasil

O Índice de Progresso Social Brasil, desenvolvido por meio da metodologia do Social Progress Imperative, foi criado para atender a necessidade de uma nova medida para avaliar e quantificar o que realmente importa para as pessoas, indo além do contexto econômico, sob compreensão de que desenvolvimento econômico não necessariamente representa desenvolvimento social. Trata-se de uma ferramenta de gestão territorial baseada em dados públicos, que identifica e apresenta, em uma mesma escala, se as pessoas têm o que precisam para prosperar, desde necessidades básicas como abrigo, alimentação e segurança, até se possuem acesso à informação e comunicação, e se são tratadas igualmente, independentemente de gênero, raça ou orientação.

O IPS Brasil é o índice mais completo da realidade socioambiental de todos os 5.570 municípios do país. O índice proporciona um panorama multidimensional e acessível sobre a performance de municípios e estados em atender às necessidades básicas de seus cidadãos.

O IPS Brasil 2026 é composto por 57 indicadores secundários de fontes públicas que são exclusivamente sociais, ambientais e que medem resultados, não investimentos. Essas variáveis foram agregadas em um índice geral, com nota de 0 a 100, e índices para 3 dimensões (Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades) e 12 componentes (Nutrição e Cuidados Médicos Básicos, Água e Saneamento, Moradia, Segurança Pessoal, Acesso ao Conhecimento Básico, Acesso à Informação e Comunicação, Saúde e Bem-estar, Qualidade do Meio Ambiente, Direitos Individuais, Liberdades Individuais e de Escolha, Inclusão Social e Acesso à Educação Superior).

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

Outras publicações