Gilmar Mendes e Deltan Dallagnol: mantenha distância

Deltan Dallagnol acreditou em Flávio Bolsonaro, que o lançou candidato ao Senado. Gilmar Mendes afirma que é inelegível.

É recomendável – via justiça e até mesmo segurança – manter uma distância de 100 metros entre o ministro do STF, Gilmar Mendes, e o e o ex-deputado federal, Deltan Dallagnol. Enquanto o ex-procurador do Ministério Público e pré-candidato ao Senado Federal afirma sua candidatura, o ministro diz o contrário, garantindo que ele é inelegível. Sobre isso, Dallagnol já processou jornalistas que publicaram sobre sua “possível” inelegilblidade.  

Dallagnol, pelo visto, acreditou em Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, que o lançou ao Senado Federal na chapa encabeçada pelo senador e pré-candidato ao Governo do Paraná, Sergio Moro.

Tanto Flávio Bolsonaro quanto Dallagnol omitiram uma detalhe: a inelegibilidade imposta pelo TSE em maio de 2023 mantém Dallagnol afastado das urnas até 2031. Incluir Deltan numa chapa eleitoral nessas condições equivale, com precisão clínica, a colocar na gôndola do supermercado produto com prazo de validade vencido — e ainda estampar na embalagem “promoção especial”. É fraude ao consumidor-eleitor. É desrespeito às instituições. É, também, o tipo de aposta que só faz sentido quando se conta com juízes amigos na arbitragem.

Foto/Fábio Pozzebom (AB)

O TSE, por unanimidade, reconheceu que Dallagnol se exonerou do Ministério Público com o intuito de frustrar a incidência de inelegibilidade — havia 15 procedimentos disciplinares pendentes contra ele no CNMP, além de duas condenações anteriores em processos administrativos com aplicação de pena de advertência e censura. Em outras palavras: o homem que coordenou a maior operação anticorrupção do país pediu demissão do cargo público exatamente para escapar das consequências de sua própria conduta profissional. O TSE entendeu que Dallagnol cometeu fraude à lei: praticou uma conduta lícita com o objetivo de atingir uma finalidade proibida pela norma jurídica.

Agora, a conversa é com Gilmar Mendes

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

Outras publicações