Operação mira também Marcola, membros de sua família e outras pessoas ligadas à organização criminosa. Investigações se estendem à Itália, Bolívia e Espanha.
Mais de 21,6 milhões de seguidores na internet, um patrimônio fabuloso e uma vida marcada por ostentação e polêmicas. São características da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, 38 anos, detida nesta quinta-feira (21) em uma mansão que fica em Alphaville, bairro que concentra condomínios luxuosos na cidade de Barueri, na Grande São Paulo. A ação conjunta entre Ministério Público e Polícia Civil paulista faz parte da Operação Vérnix, que investiga lavagem de dinheiro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Marco Herbas Camacho, o Marcola, chefe do PCC, que está preso na Penitenciária Federal de Brasília, também é alvo da operação, assim como familiares e outras pessoas ligadas a ele e à organização criminosa que comanda.
A ação é resultado de uma investigação que ocorre há anos e que identificou um esquema milionário ligado à cúpula do PCC. Nesta etapa, os policiais cumprem seis prisões mandados de preventivas, além do bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões e apreensão de 17 veículos de luxo e quatro imóveis. De acordo com as autoridades, as investigações da Vérnix se estendem também à Bolívia, Itália e Espanha, com investigados entrando na Lista Vermelha da Interpol.

Deolane Bezerra, viúva do funkeiro MC Kevin e que tem trÇes filhos, foi presa pela primeira vez em setembro de 2024, durante desdobramentos da Operação Integration. Ela foi detida em Recife pela Polícia Civil, que investigava um esquema de lavagem de dinheiro e jogos ilegais. À época, a operação envolveu mais de centena e meia de policiais e resultou em outras prisões, como a mãe da advogada, Solange Bezerra, e bloqueio de aproximadamente 2,1 bilhão em ativos financeiros.
Inicialmente, Deolane permaneceu presa na Colônia Penal Feminina do Recife. Dias depois, conseguiu habeas corpus e foi colocada em prisão domiciliar mediante medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de se manifestar nas redes sociais ou conceder entrevistas. Ao sair, porém, protagonizou nova polêmica, falando com a imprensa e publicando nas redes sociais uma foto em que aparecia com a boca coberta por uma fita adesiva com um “X”, gesto interpretado pela Justiça como descumprimento das restrições impostas. O benefício foi revogado e ela teve de voltar à cadeia por mais algum tempo.
Deolane, que ganhou fama após a morte trágida do marido funkeiro, volta a ser presa agora, quase dois anos depois. De acordo com a polícia, novo esquema descoberto envolveria uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, apontada como empresa utilizada pela cúpula da facção para movimentações financeiras ilegais.
Além de Deolane, a operação também teve como alvos Marco Herbas Camacho, apontado como líder máximo do PCC, o operador financeiro Everton de Souza, conhecido como “Player”, além de familiares ligados à organização criminosa.
Conhecida pela vida de ostentação que exibe nas redes sociais, Deolane construiu ao longo dos últimos anos um patrimônio estimado em até R$ 100 milhões. Seu faturamento mensal seria de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões, provenientes da advocacia, publicidade e negócios digitais. A mansão onde foi presa, um dos 12 imóveis dos quais é dona, está avaliada em R$ 8,7 milhões.
O nome de Deolane, por certo, será inserido nas polêmicas entre correntes partidárias de esquerda e de direita, em ano político. A influenciadora, que declarou voto e divulgou fotos ao lado de Lula, depois, no ano passado, fez questão de divulgar estar arrependida do apoio dado. Tão logo foi mencionada a sua prisão nesta quinta, as redes sociais já começaram os memes e conflitos.





