As belezas da Mata Atlântica nos cliques de Maria Eunice

Estudante de publicidade e propaganda em Curitiba, Maria Eunice Razera nasceu e mora em Morretes, no litoral paranaense, fazendo todos os dias o ida e volta. A convivência numa cidade bucólica, sob o manto da Mata Atlântica, despertou desde a infância a contemplação às belezas daquela natureza tão ímpar. Somadas curiosidade e sensibilidade, viu na fotografia uma forma de eternizar momentos tão próprios, como as missas e os detalhes da igreja que frequentava e também outros cantinhos morretenses, mirando gente simples, as construções históricas, a atmosfera tranquila e, em especial, as paisagens naturais exuberantes.

Autodidata, sob incentivo do avô materno Luiz (que acabou falecendo no ano passado), foi aprimorando suas habilidades, ora usando o celular e depois uma câmera profissional. Apesar da timidez, teve humildade para buscar bons exemplos para continuar aprendendo a arte da fotografia e que se somou à sua habilidade artística de pintar, hoje também seu hobby. Neste porém, lembra com especial atenção de sua professora de sociologia, Mônica, “pessoa incrível que me fez despertar para o desenho e a pintura”. Muitas das fotos que faz acabam sendo levadas à telas, daí sob o olhar de uma artista.

Aos 20 anos, solteira, Maria Eunice concilia os estudos com trabalhos associados a coberturas fotográficas de pequenos eventos e celebrações, muitas vezes de forma voluntária. Mas, nas horas de lazer, gosta de dedicar parte seu tempo aos seus hobbies preferidos  –  registrar em cliques os encantos da flora, da fauna e dos monumentos e da gente de sua Morretes e, depois, transportar as imagens para as telas. Maria ainda encontra energia para outras atividades prazerosas que a envolvem, incluindo a gastronomia, a música e a arte de ensina, já que sua iniciação de trabalho foi no magistério. A jovem multifacetada conta que adora cozinhar e também acompanhar as atividades religiosas na paróquia que frequenta desde a infância, onde a música sempre foi um reforço adicional ao exercício de sua fé.

O jornalista Pedro Ribeiro conheceu a talentosa fotógrafa em suas andanças por Morretes, onde por muitos anos teve uma casa no Porto de Cima. Entusiasmado com os registros a que teve acesso, o jornalista não teve dúvidas em publicar muitas das fotos em seu livro “Mata Atlântica – Desafios e Esperança no Paraná”, lançado em abril de 2024. Mais que isso, os cliques que Maria compartilhava nas redes sociais ganharam espaço também no portal noticioso do Pedro, na sessão “foto do dia”, valorizando o trabalho de Maria e exaltando os atrativos turísticos de nosso Estado.

A troca de mensagens entre a fotógrafa e uma amiga, a quem realizou um trabalho, abrevia históricos. Primeiro o agradecimento: “Obrigado por transformar cliques em momentos eternizados, imagens que contam histórias e evocam emoções. Sério, vai além do simples ato de pressionar o obturador; você envolve técnica, sensibilidade e a capacidade de capturar a essência do que é fotografado. Obrigado por transformar cliques em memórias e arte que espero que inúmeras pessoas usufruam das suas habilidades fotográficas!”. A resposta: “Poder servir com a fotografia na semana mais sagrada da minha fé é um presente. Foi uma honra colaborar com aquilo que acredito tão profundamente. Ele ressuscitou, e a morte não vence”, numa referência à última Páscoa.

Perguntada sobre o seu despertar para a fotografia, Maria Eunice reforça o incentivo do avô Luiz, com quem tinha contato constante, em especial aos domingos quando a família se reunia no sítio que tinham em Morretes. “A fé e o amor profundo por Morretes ajudaram neste caminho. Cada clique carrega uma intenção: guardar o que é real, bonito e cheio de sentimentos. Do meu avô, um dos meus primeiros modelos, aos eventos, retratos, produtos e paisagens… Tudo é história viva que merece ser lembrada”.

Parafraseando o artista e cientista Lange de Morretes e seu “discípulo” Mirtillo Trombini, Maria cita que qualquer lugar de Morretes serve para pintura e fotografia. Realça que as manhãs são lindas e inspiradoras. Porém, entende que cada pessoa tem o seu olhar diferente. “Exige-se paciência fazer uma foto boa. Se colocar várias pessoas no mesmo lugar, cada um vai fazer uma diferente. Mas vão se destacar aquelas em que se observam detalhes, que se tenha personalidade. A minha foto tem sentimento e creio ser isso que a valoriza”.

Nas imagens, a fotógrafa e artista em alguns de seus cliques. No detalhe o avô e uma de suas pinturas.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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