Mesmo com inflação em alta, preços de órteses e próteses para hospitais seguem em queda em 2026

Levantamento da Fipe com base em dados da Bionexo Tasy mostra que setor hospitalar mantém pressão por eficiência e negociação de custos.

Os preços de órteses, próteses e materiais especiais utilizados por hospitais brasileiros registraram alta de 0,12% em abril de 2026, mas seguem acumulando queda no ano e comportamento abaixo da inflação oficial do país. O dado é do Índice OPME, levantamento calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em dados transacionais da plataforma da Bionexo Tasy.

No acumulado de 2026, o indicador registra retração de 1,30%. Em 12 meses, a queda acumulada é de 0,49%, movimento que contrasta com o avanço do IPCA/IBGE (+4,39%) e do IGP-M/FGV (+0,61%) no mesmo período.

O resultado mostra um comportamento distinto do mercado hospitalar em relação aos demais setores da economia, em um contexto de pressão crescente por eficiência operacional, controle de custos e maior racionalização das compras hospitalares.

Segundo Herbert Cepêra, Diretor Executivo da Bionexo Tasy, o cenário reflete um ambiente mais estruturado de negociação e uso estratégico de dados no setor de saúde.

“Mesmo com uma leve alta em abril, o comportamento acumulado do índice mostra que hospitais seguem pressionados a buscar mais eficiência e previsibilidade em categorias historicamente sensíveis para os custos da saúde. O uso de inteligência de dados e acompanhamento transacional em larga escala ajuda o setor a tomar decisões mais estratégicas e sustentáveis”, afirma.

Comparativamente, outros indicadores ligados à saúde apresentaram alta mais expressiva em abril. O IPM-H, índice que acompanha os preços de medicamentos negociados entre fornecedores e hospitais, registrou avanço de 0,78% no período.

Entre as especialidades monitoradas pelo Índice OPME, os maiores aumentos em abril foram observados em itens ligados ao sistema nervoso central e periférico (+0,70%), cabeça e pescoço (+0,62%) e sistema musculoesquelético e articulações (+0,22%). Já os principais recuos ocorreram em produtos relacionados ao sistema urinário (-0,43%) e sistema digestivo (-0,05%).

Para Bruno Oliva, economista e pesquisador da Fipe, os dados reforçam uma dinâmica própria do segmento hospitalar, cada vez mais orientada por eficiência e renegociação.

“O comportamento do índice evidencia uma dinâmica diferente daquela observada em outros segmentos da economia. Mesmo diante de oscilações pontuais entre especialidades, o mercado hospitalar mantém uma trajetória de maior racionalização de custos e pressão por eficiência operacional”, explica.

Considerando toda a série histórica do indicador, entre janeiro de 2017 e abril de 2026, os preços de órteses, próteses e materiais especiais negociados entre fornecedores e hospitais brasileiros acumulam queda de 1,21%.

Sobre o Índice OPME

O Índice OPME (I-OPME) é um indicador pioneiro de preços de órteses, próteses e materiais especiais. Baseado em dados transacionais e metodologia estatística padronizada, o índice permite analisar e comparar movimentos de preços de curto e longo prazos, identificar pressões por especialidade e avaliar tendências de mercado de forma regular e mais transparente. Com isso, a iniciativa oferece uma referência confiável para a gestão de compras, negociação com fornecedores e planejamento financeiro das instituições de saúde.

Acesse o conteúdo do informe de abril/2026 e as séries históricas do I-OPME.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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