Paraná é quinto no ranking nacional em roubos de cargas

O Estado do Paraná concentra importantes corredores logísticos e rotas de conexão com países do Mercosul e é o primeiro em roubos de cargas da Região Sul

O Paraná está na liderança dos estados do sul Paraná no número de roubos de cargas. Em 2025 foram 152 ocorrências registradas, segundo levantamento recente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), número superior ao do Rio Grande do Sul, com 42 casos, e ao de Santa Catarina, com 13. O dado coloca o estado também na quinta posição nacional, atrás apenas de Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Bahia.

A posição chama atenção porque o Paraná ocupa papel estratégico na logística brasileira. O estado concentra importantes corredores rodoviários de escoamento da produção industrial e agrícola, além de rotas que conectam o Brasil aos países do Mercosul. Essa movimentação intensa amplia a exposição das transportadoras à atuação de quadrilhas especializadas.

O presidente da Fetranspar, entidade que representa as empresas de transportes de cargas no Estado, Sergio Malucelli, lamenta esta posição e explica que, apesar dos esforços das forças de segurança, ainda há déficit em efetivos das polícias estadual e federal nas rodovias. Também lamenta a ausência de uma central de inteligência específica para auxiliar na prevenção de furtos e roubos de cargas.

Para a CEO da Tecnorisk, empresa especializada em gestão de risco no transporte, Tatiane Bueno, o cenário atual mostra que o combate ao roubo de cargas depende cada vez mais de monitoramento integrado, análise de dados e planejamento operacional.

“Hoje, a gestão de risco precisa atuar de forma preventiva. Não basta apenas reagir ao sinistro. É necessário mapear rotas críticas, identificar padrões de ocorrência, monitorar paradas indevidas e trabalhar com protocolos rígidos de segurança”, afirma.

Entre as cargas mais visadas estão alimentos, bebidas, combustíveis, medicamentos, autopeças, produtos eletroeletrônicos e itens têxteis. Mercadorias de alto giro e fácil revenda seguem como os principais alvos dos criminosos.

Estratégia

O avanço da criminalidade exige uma mudança de postura das empresas, principalmente na adoção de estratégias preventivas de segurança e inteligência logística. “Por isso, a gestão de risco no transporte vem deixando de ser apenas um diferencial operacional para se tornar parte central da sustentabilidade financeira das transportadoras”, destaca Tatiane.

A CEO da Tecnorisk acrescenta que o trabalho integrado entre transportadoras, seguradoras, gerenciadoras de risco e forças de segurança vem se tornando decisivo para conter perdas.

“Quando existe compartilhamento de informações e atuação coordenada, os índices tendem a cair. A tecnologia ajuda, mas o fator humano e os processos operacionais continuam sendo fundamentais”, conclui.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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