Na despedida rumo à Copa, Brasil vence de goleada sem convencer

Time fez 6 a 2 no Panamá em um Maracanã lotado. Mas, pelas qualificações técnica e tática apresentadas, precisa surpreender na América do Norte. E muito.

Num dos últimos amistosos da Seleção Brasileirão nos preparativos para a Capa do Mundo de Futebol na América do Norte, realizada na noite deste domingo (31) no Maracanã, no Rio de Janeiro, a vitória foi de goleada contra o Panamá, que vai disputar o segundo mundial em sua história. O placar de 6 a 2 propõe a falsa impressão de um falso grupo vencedor e atemorizador. Qual nada. Se “escondeu” recursos técnicos e táticos, é outra coisa. Fato é que, para quem assistiu, nada passional, é de que o time é fraco e por mais que o técnico Ancelotti seja da terra onde vive o Papa, o povo brasileiro tem de rezar muito para milagre.

Panamá está no grupo L, com Gana, Croácia e Inglaterra. Difícil e conseguir ser penúltimo. Brasil está no grupo C, com Marrocos, Haiti e Escócia. Se não for primeiro, consagra a imagem de time que perdeu, de vez, a aura de maior celeiro de futebol do mundo, o país do futebol. O último título, veio em 2002, no torneio Japão-Coreia. No ranking da Fifa, hoje, está em 6° lugar, atrás França, Espanha, Argentina, Inglaterra e Portugal. Algo inédito nada comum desde a primeira Copa, em 1930, no Uruguai. Brasileiros terão de torcer muito pelo sucesso da Amarelinha, tal qual o cenário político do País.

Bem, jogando num estádio que confirma o prestígio dos torcedores, foram nada menos do que 72.140 pagantes. Maracanã lotado. Alcione e Belo cantando Hino Nacional (com dificuldade em acompanharem, o som, tal qual os torcedores depois na primeira etapa do jogo). Confiança total da galera, nos preparativos. Gol de amistoso com time considerado fraco logo antes dos 2 minutos, parecia avassalador. Mas no futebol não é assim que funciona. Sem combinar, vale o jogo. E aí o Panamá empatou numa saída errada de bola dos jogadores brasileiros. Ainda deu tempo para o Brasil marcar mais um antes do intervalo. Menos mal. No placar, porque em futebol, lembrava o Ibis tentando empatar a qualquer custo.

O segundo tempo mudou tudo e o Brasil mostrou mais serviços com reservas. Aumentaram velocidade e técnica. Daí, o improvável Lucas Paquetá foi o melhor e Danilo Santos mostrou qualidade. Uma dupla que, para torcedores fanáticos, será imprescindível na Copa. Gols depois saíram com naturalidade. Esqueça qualidade. Estamos falando em uma seleção intimidadora, pelo nome, jogando em pleno Maracanã.

Agora, a seleção viaja para os Estados Unidos e enfrenta o Egito, uma equipe bem mais forte e que também está no Mundial. Será no dia 6 de junho.

O jogo, como foi?

Vinicius Junior marcou logo nos primeiros instantes do jogo. Bateu bem, no canto direito do goleiro, em uma jogada atrapalhada do Panamá. Matheus Cunha marcou contra, aos 13, desviando uma cobrança de falta. Amir Murillo cobrou depois de Bruno Guimarães fazer falta. Então, a apreensão chegou. O Brasil dominava, óbvio], mas era muito espaçado em campo. Tinha chances, mas dava oportunidades. Muita trocação em um jogo pouco controlado.

Aos 38 minutos, Casemiro marcou, de cabeça, após cruzamento forte de Vinícius Jr. Aos 45, Alisson salvou o empate em chute cruzado de Ismael Diaz. O primeiro tempo terminou com mais posse de bola do Panamá, 52 a 48 por cento. Mostra de um Brasil com pouco controle de jogo pelo meio campo. Foi um time que jogou apenas pela esquerda, com Vinícius bem entrosado com Raphinha. Luiz Henrique foi uma nulidade.

O Brasil voltou com muitas novidades: Ederson (Alisson), Ibañez (Wesley), Danilo (Bremer), Douglas Santos (Alex Sandro), Fabinho (Casemiro), Danilo Santos (Bruno Guimarães), Lucas Paquetá (Matheus Cunha), Endrick (Vinícius Jr) e Igor Thiago (Raphinha). Com isso, o time mudou completamente. Passou a ter mais gente no meio-campo, com Lucas Paquetá e Danilo Santos se completando. Ficou claro, uma vez mais que este esquema é muito superior ao do primeiro tempo, um 4-2-4, com Matheus Cunha voltando para compor o meio. O Brasil dificilmente jogará a Copa do Mundo de maneira tão espaçada, permitindo 16 chutes do adversário. Neste domingo, foi o Panamá, na Copa poderá ser Argentina, França, Espanha…

O massacre começou logo a sete minutos. Igor Thiago pressionou o goleiro Mosquera, que errou a saída. Rayan o encobriu com categoria. Aos 14 minutos, Danilo Santos deixou a bola passar até Lucas Paquetá, que chutou de fora da área. A bola desviou e foi para o gol. Mais dois minutos e pênalti de Mosquera em Igor Thiago. Ele mesmo cobrou e fez o quinto. Foram três gols em dez minutos, um ritmo alucinante. Ritmo alucinante a partir de um domínio maior no meio-campo. O Brasil não jogava mais somente pelas pontas.

Aos 35 minutos, com o Brasil já mais lento, Lucas Paquetá acertou linda cavadinha para Danilo Santos. Ele se infiltrou, como fez tantas vezes no Palmeiras e no Botafogo e fez o sexto gol. Em outro gol bonito, o Panamá fez o seu, aos 38 minutos, em belo chute de Harvey. A goleada terminou com 55% de posse de bola do Brasil, muito mais que no primeiro tempo.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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