O deputado Arilson Chioratto defende redução de jornada sem redução do trabalho: “o brasileiro tem que trabalhar para viver e não viver para trabalhar”.
No próximo dia 27, o Partido dos Trabalhadores do Paraná vai muito além de escolher seu novo presidente. A eleição direta entre os deputados Arilson Chioratto (estadual) e Zeca Dirceu (federal), em segundo turno, se tornou um espelho de disputas maiores: qual PT o partido quer para si — o da militância orgânica, fiel às origens, ou o da costura política ampla?
No primeiro turno, Zeca Dirceu obteve 7.834 votos (44%), e Chioratto ficou perto, com 7.337 (41,5%). A decisão agora passa pelas bases de Tadeu Veneri (1.694 votos, 9,5%) e do professor Hermes Leão (815 votos, 4,6%). Chioratto, atual presidente, afirma contar com o apoio de ambos.
Chioratto representa o PT que quer permanecer firme na esquerda, sem concessões. “O PT é dos petistas”, resume, ao criticar tentativas de aproximação com o centrão e práticas que, segundo ele, negam a essência do partido. “Levar o PT ao centro é normalizar o que o centrão pratica, como as privatizações. Isso não é o nosso caminho.”
Inspirado pelo presidente Lula, seu lema ecoa uma reação nacionalista a Donald Trump: “O Brasil é dos brasileiros”, lembra, em tom de soberania. Para ele, o partido tem responsabilidade com o povo: gerar emprego, garantir bem-estar e fazer política com firmeza ideológica. Reconhece, no entanto, que o PT ainda falha na disputa simbólica. “Ganhamos na realidade social e perdemos na realidade virtual. Isso precisa mudar”, afirma, apontando o impacto das fake news e das guerras cognitivas nas redes.
Já Zeca Dirceu, filho do ex-ministro José Dirceu, traz um estilo mais conciliador, voltado à construção de alianças. Seus críticos dizem que isso pode significar concessões demais. Seus apoiadores acreditam que esse é o caminho para manter o PT no jogo do poder, especialmente em tempos de rearranjo no xadrez nacional.
Chioratto, 47 anos, de Orizona (região Noroeste), e Zeca, de Cruzeiro do Oeste, são amigos e já caminharam juntos em campanhas. “Ainda espero dobrar com ele nas próximas eleições”, disse Chioratto. Mas agora, disputam mais que votos: disputam o próprio norte ideológico do partido no estado.





