“A briga ideológica não coloca prato de comida na mesa de ninguém”. (Alexandre Curi).
Embora tenha sido rifado pelo governador Ratinho Junior (PSD) da corrida pelo Palácio Iguaçu, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), hoje acomodado na candidatura ao Senado, segue demonstrando uma fidelidade que beira o sacerdócio. Nem mesmo o fogo amigo disparado pelo núcleo duro do terceiro andar — onde habitam alguns dos principais artífices de sua exclusão, entre eles Sandro Alex e Márcio Nunes — foi capaz de provocar qualquer gesto de rebeldia.
Enquanto outros cultivariam mágoas ou, ao menos, o silêncio, Alexandre prefere distribuir elogios. Continua vendendo as virtudes do governo Ratinho Junior e trabalhando para o sucesso do candidato ungido pelo governador, justamente aquele grupo que tratou de fechar as portas do Palácio para suas pretensões. A política, afinal, é pródiga em produzir mártires e resignados.
Um soldado disciplinado
Na quarta-feira (17), durante encontro com vereadores em Curitiba, Curi voltou a desempenhar o papel de soldado disciplinado. Defendeu a boa política, exaltou as realizações da administração estadual e repetiu o discurso de que a missão do homem público é melhorar a vida das pessoas. Nada de ressentimentos, nada de recados aos companheiros do terceiro andar. Como se a facada política recebida jamais tivesse existido.
Sereno e articulado, Curi reafirmou seu compromisso com soluções concretas para a população. “A política só tem razão de existir se for para melhorar a vida das pessoas”, disse, lembrando a importância dos vereadores na identificação das demandas sociais.
Ouvindo a sociedade
Com a experiência de quem começou como vereador em Curitiba, em 2000, e hoje preside a Assembleia Legislativa, o deputado ressaltou que o Paraná avançou em áreas estratégicas porque houve capacidade de ouvir a sociedade. Citou os programas habitacionais, a descentralização da saúde e os investimentos em educação como exemplos de políticas públicas eficientes.
Também reiterou sua conhecida aversão às guerras ideológicas. “A briga ideológica não coloca prato de comida na mesa de ninguém”, afirmou.
Pratos amargos
Talvez porque tenha aprendido, na prática, que na política os pratos mais amargos nem sempre são servidos pelos adversários. Muitas vezes, vêm da própria cozinha.





