Seu CPF pode estar sendo usado por golpistas sem você saber

Por Tony Santtana –

O avanço das fraudes digitais no Brasil tem transformado o CPF em uma das principais portas de entrada para golpes financeiros. Dados da Serasa Experian apontam que o país registrou mais de 10,8 milhões de tentativas de fraude apenas entre janeiro e setembro de 2025, o equivalente a uma ocorrência a cada 2,2 segundos. Em muitos casos, criminosos utilizam informações pessoais obtidas em vazamentos de dados para abrir contas bancárias, solicitar empréstimos, contratar serviços ou realizar compras em nome de terceiros, sem que a vítima tenha qualquer conhecimento da fraude. 

As consequências costumam surgir apenas quando o consumidor recebe cobranças desconhecidas, descobre restrições em seu CPF ou encontra movimentações financeiras que nunca realizou. Situações desse tipo têm se tornado cada vez mais frequentes. Um exemplo recorrente envolve pessoas que, ao tentarem contratar crédito ou financiar um veículo, descobrem que já existem empréstimos ativos registrados em seus nomes, contratados por golpistas que utilizaram seus dados pessoais de forma indevida.

Segundo o advogado Tony Santtana, a popularização dos serviços digitais ampliou a exposição dos cidadãos a esse tipo de crime e exige atenção redobrada. “Hoje, o CPF possui valor econômico para organizações criminosas. Com informações aparentemente simples, como nome completo, número de documento, telefone e endereço, é possível criar uma falsa identidade digital capaz de gerar prejuízos financeiros e danos à reputação da vítima. O problema é que muitos consumidores só percebem a fraude quando o prejuízo já ocorreu”, explica.

Do ponto de vista jurídico, a legislação brasileira passou a tratar essas condutas com maior rigor após a entrada em vigor da Lei nº 14.155/2021, que endureceu as penas para crimes praticados por meios eletrônicos. Além da responsabilização criminal dos autores, as vítimas podem buscar a reparação dos danos sofridos e, dependendo das circunstâncias, a responsabilização de instituições que não adotaram mecanismos adequados de segurança e validação de identidade. “Monitorar regularmente o CPF, acompanhar movimentações financeiras e agir rapidamente diante de qualquer irregularidade são medidas essenciais para reduzir riscos e preservar direitos”, conclui o advogado.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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