Dia Mundial do Coração é comemorado em 29 de setembro. Colesterol alto, diabetes, hipertensão arterial, tabagismo, obesidade e estresse são fatores de risco para as doenças cardiovasculares. Especialista Luís Henrique Gowdak faz alertas.
Você já se perguntou qual a principal causa de morte no país? Não são os acidentes, a violência ou o câncer, mas as doenças cardiovasculares. Essas enfermidades do coração e da circulação são responsáveis por 400 mil mortes por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia.
“O que pouca gente sabe é que grande parte desses óbitos poderia ser evitado por meio de cuidados preventivos, mudanças no estilo de vida e tratamento adequado dos fatores de risco”, alerta o cardiologista Luís Henrique Gowdak, Coordenador de Gestão Assistencial da Unidade de Aterosclerose e Coronariopatia Crônica do InCor-HCFMUSP.
Em alusão ao setembro vermelho, mês de conscientização das doenças do coração, o especialista explica os principais fatores de risco à saúde desse importante órgão, responsável por bombear sangue para todo o corpo, garantindo o transporte de oxigênio e nutrientes para as células.
Fique de olho no colesterol ruim (LDL)
Uma das causas das doenças cardiovasculares, a aterosclerose é uma enfermidade gerada pelo acúmulo de colesterol ruim (LDL) e outras substâncias nas paredes das artérias. Segundo o Dr. Gowdak, “quando essas placas de gordura se rompem, pode ocorrer a formação de coágulos que bloqueiam o fluxo sanguíneo, levando ao infarto”.
“Por ser uma doença silenciosa, que pode atingir qualquer pessoa, a aterosclerose exige atenção preventiva. É fundamental que todos realizem check-ups periódicos com acompanhamento médico, incluindo exames para avaliar as taxas de colesterol no sangue”, complementa o especialista.
Os níveis ideais do colesterol ruim (LDL) variam de acordo com o risco cardiovascular de cada pessoa[6]. Para quem tem risco cardiovascular baixo, o ideal é manter os níveis de LDL colesterol abaixo de 130 mg/dL7. Em pessoas com risco intermediário, o valor recomendado é abaixo de 100 mg/dL7. Aqueles que já sofreram um infarto ou outro evento cardiovascular devem manter um controle mais rigoroso, com o LDL abaixo de 50 mg/dL7.
Controle a pressão arterial e o diabetes
A hipertensão arterial é outra doença silenciosa que pode ou não apresentar sinais, mas, se não for tratada, traz riscos à saúde do coração e pode acometer outros órgãos, como o cérebro e os rins[7].
De acordo com o Dr. Gowdak, “a hipertensão é uma doença multifatorial que costuma aumentar com a idade por conta do próprio envelhecimento do organismo, mas que também está relacionada a fatores genéticos, estilo de vida, à obesidade e ao estresse”.
Embora não tenha cura, a hipertensão arterial pode ser controlada com mudanças de hábitos, incluindo a prática regular de exercício físico sob orientação, alimentação balanceada e medicação conforme orientação médica8.
De acordo com a International Diabetes Federation (IDF), até 80% dos pacientes com diabetes tipo 2 morrem por causas relacionadas a problemas cardíacos. Juntamente com os altos níveis de colesterol ruim (LDL) e a pressão arterial, o diabetes tipo 2 também contribui para a formação da aterosclerose8.
Deixe o sedentarismo para trás
A inclusão de exercícios físicos na rotina é uma das melhores atitudes a adotar pela saúde desde que respeitem os limites individuais e sejam realizados com a supervisão de um profissional.
“A prática regular de atividade física, inclusive, também é recomendada para pacientes que já tiveram um evento cardiovascular, como o infarto, desde que realizadas com acompanhamento médico e seguindo um programa de reabilitação cardiovascular”, esclarece o Dr. Gowdak.
Entre os tantos benefícios dos exercícios, há a melhora da capacidade dos músculos de extrair oxigênio do sangue, reduzindo assim a necessidade do coração de bombear mais sangue para os músculos, a redução de hormônios relacionados ao estresse, o aumento do HDL (colesterol bom), além ajudarem a desacelerar a frequência cardíaca e reduzirem a pressão arterial.
Invista numa alimentação equilibrada
Uma dieta desequilibrada impacta nos fatores de risco das doenças cardiovasculares, aumentando assim a sua incidência. Por isso deve-se evitar a ingestão de alimentos ricos em gorduras saturadas e trans que podem aumentar o colesterol ruim (LDL), de excesso de açúcares simples e alimentos industrializados que contém gorduras que podem elevar o nível de triglicérides (outro tipo de gordura)13.
Por outro lado, a ingestão de fibra solúvel pode ajudar a reduzir os níveis do colesterol ruim (LDL). Já o excesso de sal, na forma de sódio, provoca a retenção de líquidos e o aumento da pressão arterial sobrecarregando o coração.
O Dr. Gowdak ainda chama a atenção “para o alto consumo calórico, especialmente de açúcares e gorduras ruins, que levam a obesidade, outro fator de risco para a hipertensão, o diabetes tipo 2 e o colesterol ruim (LDL) alto”. “Uma alimentação equilibrada também auxilia na prevenção do sobrepreso e da obesidade, ambos também fatores de risco para as doenças cardiovasculares”, complementa.
Livre-se do tabagismo
O cigarro contém substâncias tóxicas que afetam a circulação sanguínea e aumentam o risco de doenças cardíacas, além de causar a dependência. Também estão associados ao cigarro efeitos prejudiciais sobre a pressão arterial e os vasos sanguíneos, sobre as artérias coronárias e artérias cerebrais15.
Aprenda a gerenciar o estresse
Em situações de estresse, o corpo libera hormônios (adrenalina e cortisol) que podem aumentar a frequência cardíaca, elevar a pressão arterial e causar inflamação nas artérias. “Essas alterações podem sobrecarregar o coração, tornando-o mais vulnerável. “Os pacientes não podem achar o estresse algo normal, mas precisam aprender a identificá-lo e gerenciá-lo para que possa ser contornado da melhor maneira possível”, esclarece o Dr. Gowdak.





