Por Daniel Tieppo –
Hospitais, clínicas e operadoras de saúde se tornaram um dos principais alvos de ataques cibernéticos no Brasil. Só em 2024, incidentes envolvendo ransomware, vazamentos de dados e invasões de sistemas críticos cresceram de forma acelerada, colocando em risco tanto a continuidade do atendimento quanto a privacidade dos pacientes.
Hospitais, laboratórios, operadoras de planos de saúde entre outras empresas do setor até se uniram para criar uma plataforma de software que compartilha informações sobre ameaças digitais ao setor de saúde no Brasil. A ideia é elevar a segurança de um setor bastante visado por cibercriminosos.
Casos recentes mostraram que hackers já são capazes de alterar resultados de exames e paralisar redes hospitalares inteiras — um cenário que escancara a urgência em adotar uma cultura sólida de cibersegurança.
Na avaliação de Daniel Tieppo, especialista em cibersegurança e diretor executivo da HexaDigital, a saúde está em um ponto crítico: “Quando falamos de ataques digitais nesse setor, não se trata apenas de prejuízo financeiro ou reputacional. Estamos lidando com vidas. Integrar a cultura de segurança digital nas instituições de saúde é essencial para reduzir vulnerabilidades e responder rapidamente a ameaças”.
Segundo o especialista, o setor já figura entre os mais atacados no Brasil desde a pandemia, ao lado do financeiro, e precisa avançar na proteção de dados e sistemas clínicos. Para ele, a resposta passa por três pilares: prevenção contínua, monitoramento em tempo real e conscientização de equipes. “Não adianta apenas investir em ferramentas de defesa se não houver uma mentalidade de segurança compartilhada dentro da organização. É essa cultura que permite reagir com agilidade e evitar que invasores explorem falhas críticas.”
Daniel Tieppo ressalta ainda que a falta de preparo pode ampliar os impactos sociais e econômicos: paralisação de cirurgias, comprometimento de exames, indisponibilidade de históricos médicos e até a manipulação de informações sensíveis. “É fundamental que hospitais e operadoras tratem a cibersegurança como parte da infraestrutura essencial, assim como energia e equipamentos médicos. A tecnologia é indispensável para salvar vidas, mas precisa estar protegida.”
(*) Daniel Tieppo é especialista em cibersegurança e diretor executivo da HexaDigital, empresa do Grupo MakeOne.





