Discurso midiático e “dantesco” de Ricardo Arruda (PL) na Assembleia Legislativa (Alep) fere o recém-criado Código de Ética do legislativo paranaense “
Deputado Ricardo Arruda (PL) protagonizou, na terça-feira (16), mais uma sessão dantesca na Assembleia Legislativa. Ao defender o bolsonarismo, como sempre faz em todas as suas participações, o parlamentar extrapolou o limite do bom-senso, feriu e desrespeitou o Código de Ética da Casa, recém-criado pelo presidente do legislativo paranaense, deputado Alexandre Curi (PSD), com objetivo de impedir desvaneios entre os parlamentares. “O plenário é um espaço de debate político, não de ofensas pessoais”, ponderou Curi ao assinar a lei.
Arruda, fazendo um discurso inflamado para a plateia, ao estilo Silas Malafaia, chamou, por várias vezes, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva de “cachaceiro” e “ladrão”, apontando, sem provas, uma série de acusações que deveriam ser analisadas pelo judiciário e apontou o dedo direto para o Supremo Tribunal Federal (STF) afirmando que a ministra Carmem Lucia é uma “bruxa”.
Chamados como “ladrão” e “bruxa” podem configurar quebra de decoro e até abrir margem para processo no Conselho de Ética.
Ao conceder um aparte para a deputada Cristina, que pediu que fosse retirado das notas taquígrafas a palavra “bruxa” por, mais uma vez, estar ofendendo as mulheres, Arruda ergueu ainda mais o tom da voz, solicitando que fosse mantida a palavra e que “não estava naquela sessão para perder tempo com donzelas e bruxas”, o que teve o microfone cortado pela presidente da sessão, deputada Flávia Francischini.
Em seu teatro, o deputado buscou produzir efeito midiático, mais do que apresentar argumentos, o que pode desgastar a imagem do legislativo. Sua fala raivosa e odiosa demonstra a estratégia de radicalização da direita contra Lula e contra o Judiciário, colocado a ministra como inimiga do povo.
Chamar uma ministra de “bruxa” resgata imagens arcaicas e machistas, reforçando preconceitos de gênero. Seu discurso perde força institucional e se aproxima de espetáculo circense ou teatral, destinado cliques de redes sociais.
Para o presidente Alexandre Curi, “o Parlamento é um espaço de livre debate e de diversidade de opiniões. Mas essa liberdade precisa ser exercida com respeito. O novo Código de Ética traz mais clareza, rigor e transparência quanto aos deveres e comportamentos esperados de um parlamentar, além de deixar evidente quais condutas são inaceitáveis e quais as consequências previstas.”
Respeito e responsabilidade
“O Código confere segurança jurídica às ações do Conselho de Ética, ao mesmo tempo em que respeita os dispositivos constitucionais sobre a imunidade parlamentar. É essencial garantir o debate de ideias e saber conviver com o contraditório, mas não podemos aceitar discursos radicais e agressivos, muitas vezes utilizados apenas para gerar engajamento nas redes sociais. O foco precisa ser a discussão de políticas públicas”, explicou Curi.
O parlamentar reforçou que “não haverá censura nem perseguição a ninguém, mas todos terão ciência de que condutas incompatíveis com o decoro serão apuradas e punidas”. Para ele, a medida representa um avanço institucional relevante. “Reforçamos o compromisso da Assembleia com a ética, a transparência, o respeito mútuo e a integridade no exercício da representação popular”, concluiu Curi.





