Metanol, riscos, mistérios e dúvidas

“Bebeu, aprovou, a nova cartilha da Abrabar transforma donos de bares em degustadores oficiais”

Quando li um texto em que a direção da Abrabar – Associação dos Bares e Restaurante do Paraná – sugere que o “dono do estabelecimento comercial faça, primeiro (beba), o teste da bebida”, fiquei preocupado. Vamos matar o dono do boteco? Imagine a correria…

Nada mais democrático do que transformar o dono do bar em laboratório ambulante ou cobaia. Imagine a cena: fila na porta, o sujeito vira o provador oficial, recebe um crachá “Aqui é Seguro”.

Deixando a ciência de lado, a solução é simples: experimentar até ver se explode. Enquanto isso, curioso apenas com copos vazios nas mãos só aguardando o corajoso.

Este surto de intoxicações por metanol acendeu luz vermelha no Brasil, levando grande número da população (bota grande nisso) a repensar qual bebida vai consumir.

Esta tragédia tem deixado, também, muitos preocupados, anônimos e especialistas em saúde, com relatos de mortes, casos graves e o perigo silencioso que pode estar dentro de uma inocente garrafa de cachaça, bebida preferida dos brasileiros.

O Ministério da Saúde informa que são dezenas notificações de intoxicação por metanol. São muitos casos suspeitos, e algumas confirmações laboratoriais. Algumas mortes já foram confirmadas como decorrentes de ingestão de metanol; há outras sob apuração.

Começou em São Paulo, foi para Pernambuco e agora está, também, no Paraná. O problema está associando bebidas alcoólicas adulteradas (gin, uísque, vodka etc.), comercializadas em estabelecimentos irregulares ou com procedência duvidosa. O metanol pode entrar quando o processo de fabricação ou destilação não é seguro.

O metanol é extremamente tóxico: ao ser metabolizado no organismo, gera subprodutos como formaldeído e ácido fórmico, que causam danos sérios. Segundo especialistas em saúde, os sintomas iniciais podem parecer de intoxicação comum (náuseas, vômitos, dores abdominais, mal-estar), mas envolvem também visão turva ou até cegueira, além de distúrbios metabólicos graves.

Quanto mais demora para tratamento adequado, maior o risco de sequelas permanentes ou morte.

Informações do governo federal dão conta de que foi  montado um plano de ação que inclui fiscalização de bares e distribuidores, inquéritos federais para investigar a procedência do metanol, alertas à população, notas técnicas para orientação de profissionais de saúde, e obrigatoriedade de notificação imediata de casos suspeitos.

Vigilância Sanitária e secretarias estaduais têm interditado estabelecimentos suspeitos de comercializar bebidas adulteradas.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

Outras publicações