“Ficamos velhos e pobres, e só avançaremos com produtividade — o que ainda não temos. Soma-se a isso desafios na educação e na tecnologia.”
— Norberto Ortigara
O Brasil caminha para alcançar a marca histórica de 400 milhões de toneladas de grãos até 2030. Em 2025, a previsão é de 351,9 milhões de toneladas, com expectativa de chegar a 354,7 milhões em 2026 — consolidando mais um recorde de produção.
O Paraná, segundo maior produtor agrícola do país, deve fechar 2025 com 44,4 milhões de toneladas, subindo ligeiramente para 44,6 milhões em 2026. O estado fica atrás apenas de Mato Grosso, que lidera com 112,4 milhões de toneladas este ano, embora a projeção para 2026 indique leve retração para 108,6 milhões.
Apesar dos números impressionantes, o crescimento econômico do país não acompanha o desempenho do agronegócio. Hoje, o Brasil é o maior exportador de produtos agropecuários do mundo e tem no setor, junto à aviação — representada pela Embraer —, seu principal diferencial competitivo.

“O agro é a salvação da lavoura e, talvez, o que temos de melhor no país. Nos últimos 10 anos, o setor gerou US$ 1 trilhão em receitas líquidas, sendo US$ 345 bilhões em superávit comercial — recursos que compõem hoje o colchão de liquidez do Banco Central”, afirma Norberto Ortigara, secretário da Fazenda do Paraná.
Embora o país lidere as exportações do agro globalmente, e o Paraná figure entre os maiores exportadores de alimentos, ainda há entraves estruturais. “No curto prazo, enfrentamos o alto custo do crédito. E, olhando para o futuro, precisamos enfrentar gargalos de competitividade ligados à infraestrutura e conectividade”, aponta Ortigara.
Com longa trajetória à frente da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Ortigara defende que o Estado deve avançar na agregação de valor à produção. “O agronegócio paranaense tem buscado atender às exigências de cada mercado, investindo em processamento e diversificação das centenas de espécies produzidas.”
No entanto, o desafio maior, segundo ele, é romper a estagnação do crescimento econômico. “O Brasil precisa ultrapassar a barreira dos 2% ou 3% de crescimento do PIB ao ano e alcançar patamares mais elevados. Envelhecemos antes de ficarmos ricos — e só sairemos desse ciclo com aumento de produtividade. Mas, para isso, é urgente investir em educação e tecnologia.”
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