Ratinho Junior corre o risco de perder o timing político

A hesitação do governador Ratinho Junior (PSD) em definir seu candidato à sucessão no Palácio Iguaçu começa a custar caro. Enquanto o governo insiste em adiar a decisão, o grupo político se fragmenta e o eleitorado se confunde. O vácuo de liderança está evidente — e quem aproveita o espaço é Sergio Moro, que já se movimenta livremente, conversando com prefeitos e marcando presença em regiões estratégicas.

Enquanto isso, o cenário dentro da base governista beira o improviso. Rafael Greca anuncia que é candidato, Alexandre Curi se movimenta como alternativa natural, e Guto Silva percorre o interior como se já tivesse a bênção do governador. Cada um age por conta própria — e isso demonstra, acima de tudo, a ausência de comando político.

Ratinho parece acreditar que pode esperar as pesquisas e deixar que o tempo organize o tabuleiro. Mas política não admite vácuo — e quando o líder não se posiciona, alguém o faz em seu lugar. O governador precisa reassumir o protagonismo, escolher seu sucessor e colocar o time em campo. Caso contrário, corre o risco de ver o projeto do PSD ser atropelado por quem já entendeu que eleição se vence com atitude, não com cautela.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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