Os paladinos da moralidade que recebem mesada
Hoje, meu grupo preferido – democrático até demais – no whats acordou nervoso e acabou me pautando para este artigo de opinião. Tema: dois políticos paranaenses pagos pelos partidos para atuarem. Verba do Fundo Partidário.
O Paraná em passado recente, se tornou vitrine do discurso anticorrupção. Os protagonistas desse discurso de paladinos da moralidade foram Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Eles aproveitaram esse tema e ergueram suas carreiras públicas sobre a promessa de moralizar a política e combater os abusos no uso do dinheiro público.
Agora, como eles explicam a origem e o destino de recursos recebidos de partidos que, por sua vez, são sustentados pelo contribuinte. O famigerado Fundo Partidário.
Notas em jornais e blogs mostram que os dois políticos da terra vêm recebendo pagamentos mensais de partidos políticos, bancados com verbas do fundo partidário e do fundo eleitoral — dinheiro público, destinado a custear atividades partidárias e não benefícios pessoais.
O assunto despertou a fúria dos pouco mais de 60 jornalistas do grupo. No caso de Deltan, segundo relata a imprensa, os repasses teriam sido feitos por meio de uma empresa ligada à sua família, sob o argumento de “prestação de serviços”. Já Moro, quando se filiou ao Podemos, teria solicitado apoio financeiro para despesas pessoais, como roupas, sapatos e viagens.
O problema, não sei se é legal, mas não é nada ético. Entendo que o fundo partidário é um instrumento legítimo da democracia, criado para garantir o funcionamento das siglas e equilibrar a disputa eleitoral. Agora, quando se transforma em mesada para políticos ou em fonte de privilégios, ele perde seu propósito público e reforça o descrédito nas instituições.
Ainda no grupo, um colega pergunta: “Quem construiu sua imagem como exemplo de integridade precisa ser o primeiro a agir com transparência e austeridade?”.
´São por esses e outros motivos que paira uma decepção popular diante dessas revelações tem um peso simbólico. O eleitor paranaense, e o brasileiro em geral, têm o direito de cobrar coerência daqueles que prometeram ser diferentes.
O dinheiro público não é recompensa, tampouco instrumento de vaidade. Ele deve servir à coletividade. Quando a ética se torna discurso e não prática, a política perde sua legitimidade — e a sociedade, sua confiança.





