“O Alerta Vermelho do Paraná”

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O governador carrega, agora, não apenas uma pauta de segurança, mas o peso simbólico de uma fronteira que precisa ser protegida.

O governador Ratinho Junior viaja a São Paulo e depois deve embarcar para o Rio de Janeiro, cidades onde a política e o perigo costumam caminhar lado a lado. Na capital paulista participa de um leilão na B3 e, mais importante, um encontro de governadores do Sul e Sudeste para discutir a tragédia que se abateu sobre o Rio: mais de cento e vinte mortos em uma escalada de violência que parece não ter fim.

O crime, este inimigo invisível, não respeita linhas no mapa. Quando a pressão aumenta nas favelas do Rio e nas periferias de São Paulo, o Comando Vermelho procura novas rotas. E é aí que o Paraná surge no horizonte como terreno fértil, ponto de passagem.

Ratinho Junior sabe disso. Já bateu no peito mais de uma vez, afirmando que “no Paraná, bandido não tem vez”. E a frase ecoa como mantra, como promessa e como desafio. Mas a verdade é que o mapa do crime organizado começa a ganhar novas cores. Vermelhas. As mesmas que tingem o sangue das ruas do Rio de Janeiro.

O governador carrega, agora, não apenas uma pauta de segurança, mas o peso simbólico de uma fronteira que precisa ser protegida. Porque quando o crime se move como vento — silencioso, adaptável e cruel — basta um descuido para que a sombra avance.

E talvez, no fundo, essa viagem não seja apenas uma reunião entre chefes de estado. Talvez seja o primeiro ato de uma guerra que já começou, mas que poucos ainda têm coragem de admitir.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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