Veículos pesados na ponte de Guaratuba?

Fontes ouvidas garantem cumprimento de acordo que impede trânsito de veículos com mais de 26 toneladas de peso total.

As obras da ponte de Guaratuba, no litoral paranaense, avançam em ritmo acelerado de acordo com o cronograma estabelecido, que prevê a conclusão em abril de 2026. No momento que aproximadamente 75% das obras já estão concluídas, ressurge o questionamento sobre a proibição de passagem de veículos de transporte de cargas pesadas pela ponte, restrição imposta no protocolo de intenções celebrado pelo governo do Paraná e o Ministério Público há três anos e meio, ainda no período de elaboração do projeto e sob orientação do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima).

Todas as fontes consultadas reafirmam o alinhamento com a disposição firmada com os organismos ambientais e que descartam a liberação na ponte do tráfego de caminhões de transporte com pesagem acima de 26 toneladas, somando o peso do veículo e a sua carga. Tal limite é o mesmo aplicado hoje às balsas que fazem a travessia. Considerando que as BR-376 e BR-101, que conectam Santa Catarina com o Paraná, é um grande corredor de transporte de cargas, volta e meia ressurge o temor de que a ponte poderia se tornar rota para o Porto de Paranaguá.

Moradores de Guaratuba e Matinhos e seus balneários sempre se manifestaram reticentes com a possibilidade de que suas vias sejam tomadas pelos veículos de grande porte, com previsível caos no tráfego e afugentando veranistas. Assim, gestores dos municípios litorâneos, moradores e proprietários de imóveis insistem em ter a segurança de cumprimento das obrigações assumidas no período pré-projeto.

O Instituto de Água e Terras (IAT) reafirma os termos do acordo celebrado e reiterou que a responsabilidade pelo tráfego é do DER-PR. Este, por sua vez, já se manifestou que será mantida a restrição vigente na travessia do ferryboat, que não pode ultrapassar o Peso Bruto Total (PBT) de 26 toneladas.

Por sua vez, o presidente da Federação das Empresas de Transportes (Fetranspar), coronel Sergio Malucelli, disse que ainda existem algumas dúvidas em relação a este tipo de tráfego, embora acredite que serão permitidos apenas veículos mais leves com pouco mais de 20 toneladas. “Vamos aguarda o término da ponte”, comentou.

A ponte, que faz a ligação Matinhos-Guaratuba, terá extensão total de 3,07 km, incluindo os acessos. A estrutura principal, contudo, terá 1.244 metros de extensão, com quatro faixas de tráfego, duas faixas de segurança, calçadas com ciclovia e guarda-corpo. Não haverá cobrança de pedágio e os organismos governamentais ainda não confirmaram como serão conduzidas as fiscalizações nos acessos de ambos os lados da ponte.

Perspectiva de ponte concluída.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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