Interesses contaminam a verdade e alimentam dúvidas. Como se diz, não basta ser honesto, tem de parecer honesto. Sucessão ao Palácio Iguaçu
No Paraná, as campanhas à sucessão do governador Ratinho Junior prometem se transformar em inflamados palcos predatórios. Em cenário dantesco, adversários políticos passarão a serem inimigos. Mostra de que não haverá freio é a investida do PT no centro do poder contra a privatização da Celepar. Neste movimento, antecipado, a mira é quem – do governo – estaria por traz da engenharia da venda da empresa.
O deputado estadual e presidente do PT, Arilson Chiorato, em discurso no Plenário da Alep, mostrou-se disposto a atravessar o “rubicão” e estimular o confronto, auxiliado por uma militância nervosa, sem compaixão.

No campo político, sabemos, há muita especulação, conspirações e sabotagens, daí a importância de se oferecer sempre transparência no seio governamental para minimizar as armadilhas. Interesses contaminam a verdade e alimentam dúvidas. Como se diz, não basta ser honesto, tem de parecer honesto.
O tema da privatização da Celepar continua a gerar desdobramentos e a repercutir pela pressa com que o governo de Ratinho Junior quer encerrar o assunto. Consumando o leilão, óbvio. Mas ainda há obstáculos e ruídos nos bastidores que estimulam as chamadas teorias da conspiração. Ou seriam interesses obscuros, como insinuam membros da chamada tropa de choque do PT e do Psol, que levaram a demanda à esfera do Supremo Tribunal Federal, em ação agora nas mãos do ministro Flavio Dino para decidir sobre medida cautelar para suspender ou não a privatização?
O Ministério Público do Paraná já havia encaminhado representação à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para que se investigue a privatização da Celepar está de acordo com a lei, ao mesmo tempo em que o Tribunal de Contas do Estado suspendeu o processo de privatização, mas ainda não analisou a questão da transparência pleno do processo de venda.
Fundada em 1964, a Celepar conta com quase mil funcionários. Se consumado o processo de venda da empresa, como aprovado pela Assembleia Legislativa em projeto do executivo, o Estado do Paraná deixaria de ser o controlador e a gestão de dados estaria sob a gerência da iniciativa privada. Aí reside, talvez, a principal preocupação da oposição, eis que a LGPD não autoriza, em nenhuma hipótese, a gestão de dados de segurança pública, defesa nacional, segurança nacional ou atividades de investigação e repressão de infrações penais por empresas privadas. E está sob guarda da Celepar dados sensíveis de paranaenses, que vão de pagamentos de impostos a históricos médicos.
No meio desse imbróglio, fomenta-se que a empresa Viasoft (ou VMS Soluções) é uma das interessadas no processo licitatório e que estaria atuando nos bastidores para contribuir à desobstrução dos obstáculos do processo. Sociedade limitada fundada há quase 15 anos em Pato Branco, tem entre seus acionistas o empresário Itamir Viola, de fácil trânsito nas cercanias do Palácio e que desde 2020 lidera, pela Viasoft, a Semana Paraná Inovador, com apoio do governo estadual.
No momento em que o tema Celepar ganha ainda mais visibilidade, a força tarefa oposicionista ao projeto de privatização coloca em cena personagem proeminente e de alcance da confiança do governador Ratinho Junior. Rastilho de pólvora, mas que, a depender da insistência de linhas dos PT, pode não só impactar no nível de credibilidade do processo de venda da Celepar como, também, arranhar a imagem do governo e posicionar barreiras no tabuleiro da sucessão.





