Tornado deixa rastro de destruição e de vítimas no Centro-Sul

Rio Bonito do Iguaçu foi o município mais atingido e registrou cinco das seis mortes. Até a manhã deste sábado havia dois desaparecidos e mais de 780 feridos, nove em estado grave.

Verdadeira “operação de guerra” foi montada pelo governo estadual para prestar atendimento ao município de Rio Bonito do Iguaçu e entorno, na região Centro-Sul do Paraná, atingida ao final da tarde de sexta-feira (7) por um tornado da escala F3 (escala Fujita), com ventos de até 250 km/h. A cidade de 14 mil habitantes foi a mais castigada e que teve destruição ou danos em 80% de sua estrutura, o que tende a levar o governador Ratinho Junior a decretar estado de calamidade pública ainda neste sábado (8), quando se deslocou com uma equipe para o local.

Até a manhã deste sábado tinham sido confirmadas seis mortes: cinco em Rio Bonito – três homens com idades de 49, 57 e 83 anos, e uma adolescente de 14 e uma mulher de 47 anos – e mais uma, de um homem de 53 anos, na zona rural de Guarapuava, a quase 130 km da principal cidade atingida. Há ainda indicações de pelo menos duas pessoas desaparecidas. Das mais de 780 pessoas feridas (número atualizado durante o dia), 49 delas ainda internados, sendo nove em estado grave. A maior parte dos atendimentos ocorreu em hospitais de Laranjeiras do Sul, mas pacientes com quadro clínico mais grave foram transferidos para outros hospitais da região.

A Secretaria de Segurança mobilizou grande número de policiais para auxiliar no socorro à cidade, sendo que pelo menos 60 bombeiros já estavam operando na cidade neste sábado, ao mesmo tempo em que seis helicópteros já estavam disponíveis no local para auxiliar na operação. A PM reforçou o policiamento e conta com posto de comando instalado num posto de combustíveis e com heliponto estabelecido em um campo de futebol da cidade, que fica a aproximadamente 380 km da capital.

A cidade de Rio Bonito, antes e depois da passagem do tornado (montagem O Globo).

A Defesa Civil e a Secretaria de Saúde também foram engajadas na operação, com a segunda organizando até a montagem de hospital de campanha para auxílio às vítimas, além de disponibilizar medicamentos e insumos. Por parte da Defesa Civil, foram enviados para região cestas básicas, colchões, kits de higiene, de limpeza e dormitório e ainda telhas e boninas de lona, já que há número significativo de desabrigados e desalojados.

Há um mutirão na tentativa de restabelecer o fornecimento de água potável e energia, já que todo o sistema de fornecimento foi prejudicado. Postes derrubados e espalhados com seus fios pelas ruas integram o cenário de devastação, com casas e estabelecimentos comerciais destruídos, carros arrastados, árvores e placas caídas e coberturas lançadas a dezenas de metros de distância.

Até a última sexta-feira (7), 14 cidades paranaenses estavam em situação de emergência em decorrência das fortes chuvas, tempestades vendavais e granizo que atingiram o Estado nos últimos dias.

Muitos vídeos que circulam nas redes sociais mostram o rastro de destruição causado pelo tornado que, conforme o Simepar, de fato chegou a atingir 250 km/h. Há aproximadamente três décadas não era registrado no Paraná um fenômeno dessa intensidade. Confira abaixo video em nosso canal no YouTube.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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