Pesquisador da Inicamp já tinha catalogado 205 tornados e agora classifica o de Rio Bonito do Iguaçu como um dos 10 mais “arrasadores” da história do País.
O tornado que devastou cidades da região Centro-Sul do Paraná na sexta-feira (7), com maior impacto no município de Rio Bonito do Iguaçu, que foi praticamente arrasado, atingiu o índice de EF3 em uma escala que vai até 5. Esse fenômeno pode ter sido um dos mais fortes já registrados no Brasil, de acordo com análise do pesquisador Daniel Henrique Cândido, doutor em geografia pela Unicamp e que já catalogou 205 tornados ocorridos no país, entre 1990 e 2011, em estudo de doutorado.
De acordo com o pesquisador, o Brasil tem um histórico expressivo de tornados e ocupa uma posição de destaque no cenário mundial. “Continua sendo a segunda área de risco mais intenso de ocorrência de tornados no mundo. Ela só fica atrás do chamado corredor dos tornados nos Estados Unidos”. Cita que uma das tragédias ocorreu em maio de 1992 em Almirante Tamandaré, na Grande Curitiba. Que também atingiu a escala EF3 e teve seis mortos.
Na visão do estudioso, o fenômeno ocorrido em Rio Bonito do Iguaçu pode estar entre os 10 piores já registrados, numa lista que inclui os tornados de Itu (SP), que deixou 15 mortos em 1991, e de Nova Laranjeiras (PR), com quatro mortos em 1997. Antes, em novembro de 1995, um tornado foi registrado entre Paulínia e Jaguariúna (SP), sendo que 10 anos depois, em maio de 2005, foi a vez de Indaiatuba (SP), quando fábricas, prédios municipais e pelo menos 400 casas foram destruídos por ventos que atingiram cerca de 250 km/h;
O pesquisador explica que o alto número de tornados no país está diretamente ligado às condições geográficas e climáticas da América do Sul. “O motivo desse valor tão elevado na ocorrência de eventos está relacionado exatamente com a situação geográfica do país”.
Explica que O Centro-Sul do continente, incluindo Brasil, Paraguai e norte da Argentina, é uma área relativamente plana, com relevo que favorece o encontro de massas de ar, que acabam sendo canalizadas pela presença da Cordilheira dos Andes, a oeste, e pela Serra do Mar, no litoral brasileiro. Complementa que isso cria um canal que facilita o escoamento dessas massas de ar, permitindo que avancem de forma mais rápida e intensa. Essas condições criam o ambiente ideal para a formação de ciclones e tempestades severas, de acordo com o pesquisador.





