Banco Master e o golpe que pode passar de R$ 12 bilhões

Operação Compliance Zero levou à prisão o banqueiro Daniel Vorcaro e decretação pelo BC da liquidação do conglomerado, frustrando o anúncio de venda feito na véspera. Ações da PF ocorrem em SP, RJ, MG, BA e Distrito Federal, com mais prisões e apreensões de dinheiro e bens de valor.

A Polícia Federal deflagrou, neste início de semana, a Operação Compliance Zero, com o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional. Policiais federais cumprem cinco mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.

O principal alvo da operação é banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, dono do Banco Master. Ele foi preso no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando esperava embarque para os Emirados Árabes. Horas antes, ele havia anunciado a venda do Banco Master para o Grupo Fictor, negócio que foi suspenso pelo Banco Central depois de investigação apontar que o banco usou artimanha numa primeira negociação com o BRB, o banco público de Brasília, para ocultar carteira falsa de consignado.

O BRB também foi alvo de buscas dos agentes federais e o presidente, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo, com o governador Ibaneis Rocha (MDB) nomeando Celso Eloi de Souza Cavalhero para substituí-lo. Em setembro, o BC rejeitou a comporá do Master pelo BRB e agora voltou a intervir, decretando a liquidação do conglomerado e colocou o Banco Master sob regime de administração especial temporária por 120 dias. Apenas o Will Bank foi preservado devido ao interesse de investidores em adquirir o banco digital.

Augusto Ferreira Lima e Daniel Vorcaro, executivos do Master.

A prisão do banqueiro foi justificada sob suspeita de fuga e não de consolidação da negociação anunciada. O delegado-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse que os delitos sob investigação somam recursos da mais de R$ 12,2 bilhões, montante que equivale à ordem de bloqueio de bens. Augusto Ferreira Lima, que ocupou o posto de CEO no Master até o início das negociações para a venda do banco, também foi preso nesta terça e em sua casa teriam sido apreendidos R$ 1,6 milhão em dinheiro. A operação resultou ainda na apreensão de veículos de luxo, joias e relógios.

Outras prisões confirmadas foram de Luiz Antônio Bull, diretor de riscos, compliance, RH, operações e tecnologia; e Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria do banco. Os advogados de Daniel, que era apresentador gospel e teve enriquecimento muito acelerado, negaram que ele estivesse fugindo do país, sustentando a versão de continuidade do negócio com o Grupo Fictor. Este, logo após a prisão e anúncio de intervenção, anunciou o bloqueio definitivo das tratativas.

As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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