“Migue e todes”. Brasília decidiu salvar o português

Decreto do presidente Lula proíbe a administração pública de usar linguagem neutra.

No Brasil de tantos problemas – não vale citá-los aqui- finalmente encontramos um problema realmente urgente para resolver: as vogais.

Decreto do presidente Lula proíbe a administração pública de usar linguagem neutra.

Dormimos em um Brasil e acordamos em outro, onde o maior risco institucional não é inflação, reforma tributária, COP-30,  polarização ou orçamento projeto antifacção e sim um eventual “todes” escapando nas altas reuniões de gestões públicas.

O curioso é que nem o presidente Lula, sancionador da lei, usa linguagem neutra. Mas Brasília é assim mesmo: não basta não fazer, tem que garantir por decreto que ninguém mais faça.

Enquanto isso, nas redes sociais, onde a vida real acontece, a galera continua usando “migue”, “todes”, “elu” e o que mais der vontade, porque sentimentos, identidade e comunicação não cabem em Diário Oficial. Mas tudo bem: o governo está preocupado com o que realmente importa — impedir que a próxima placa da repartição pública venha escrita “bem-vindes”.

No fim das contas, seguimos no Brasil de sempre: discutindo letras enquanto problemas bem mais sérios seguem sem conjugação possível. Mas é isso aí…

Se a intenção era simplificar a linguagem, parabéns. Nada é mais simples do que transformar debate social complexo em assunto de gramática.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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