STF autoriza busca e apreensão na Vara da Justiça Federal que acolheu processos da Lava Jato

Operação da Polícia Federal foi realizada nesta quarta (3) e estaria associada a denúncias feitas pelo ex-deputado Tony Garcia ao ex-juiz e hoje senador Sergio Moro, que as rebateu novamente através de sua defesa.

A Polícia Federal realizou na manhã desta quarta-feira (3) operação com busca e apreensão de dispositivos eletrônicos e arquivos digitais na 13ª  Vara Federal de Curitiba, com autorização do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal). A vara é a mesma onde tramitou processos que ganharam repercussão como Lava Jato e que alçaram protagonismo ao então juiz Sergio Moro, depois chegando ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro e eleito como senador pelo Paraná.

Fontes oficiais não detalharam o gabinete em que houve a ação dos agentes federais, mas admitiram que o local está relacionado à possível guarda de arquivos que teriam sido solicitados pelo ministro Toffoli ainda em outubro e que não teriam sido entregues. A Justiça Federal no Paraná informou que não se manifestaria sobre a operação, o mesmo ocorrendo, pelo menos em princípio, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), O STF, por sua vez, não detalhou mais detalhes sobre a conclusão da operação.

De acordo com informações repassadas à imprensa, o inquérito estaria relaciono a denúncias feitas pelo empresário e ex-deputado Tony Garcia contra o ex-juiz e agora senador Sergio Moro (União-PR). A questão remete ao escândalo do Banestado, que chegou à esfera da Justiça Federal no início desta década e que tinha Garcia como um dos implicados. Ele acusou o ex-magistrado de ter sido chantageado e obrigado a fazer gravações contra autoridades em acordo de delação premiada.

Através de seus advogados de defesa, o senador Sergio Moro afirmou não ter tido acesso aos autos do inquérito, que teria por base em “relatos fantasiosos” e “não houve qualquer irregularidade no processo de quase 20 anos atrás que levou à condenação de Tony Garcia por ter se apropriado de recursos de consorciados do Consórcio Garibaldi”. A fonte reforçou que, “como o próprio procurador-geral da República afirmou, não há causa para competência do STF no inquérito, já que não há sob investigação ato praticado por Sergio Moro na condição de senador ou ministro”.

Em outro trecho, a manifestação da defesa acrescenta: “O senador não tem qualquer preocupação com o amplo acesso pelo STF aos processos que atuou como juiz. Essas diligências apenas confirmarão que os relatos de Tony Garcia são mentirosos”.

O episódio vem à tona num momento de grande relevância política para Sergio Moro (União), postulante ao cargo do governador do Paraná nas eleições de 2026. Até a tarde desta quarta (3), o senador não tinha se manifestado em suas redes sociais.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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