Menos equipe, mais demanda: como manter a qualidade no laboratório

Manter o controle de qualidade com equipes enxutas pede rotinas mais inteligentes, automação e tecnologias que reduzam desperdício.

A rotina dos laboratórios clínicos vive hoje um paradoxo: a demanda por resultados rápidos e confiáveis cresce, ao mesmo tempo em que muitos serviços lidam com equipes menores para volumes de exames maiores. O cenário inclui ainda orçamentos mais pressionados e dificuldade de repor profissionais especializados em áreas como biologia molecular, patologia clínica e gestão de qualidade. Em um setor em que cerca de 70% das decisões médicas são influenciadas por resultados laboratoriais, falhas em qualquer etapa podem impactar diretamente o cuidado ao paciente, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC). ¹

Nesse contexto, a pressão por eficiência não reduz a necessidade de qualidade. Pelo contrário: estudos indicam que a maior parte dos erros laboratoriais ocorre fora da fase analítica, com predominância na etapa pré-analítica, reforçando a importância de protocolos robustos de controle e monitoramento contínuo. ²

O controle de qualidade (QC) — interno e externo — segue como um dos pilares para garantir consistência e rastreabilidade de resultados. É nesse cenário que a Thermo Fisher Scientific reforça sua atuação com a linha Thermo Scientific™, MAS™ Quality Controls (MAS QC), um portfólio de controles de qualidade que apoia laboratórios clínicos e moleculares na padronização de rotinas e na segurança dos resultados.

A atualização da ISO 15189:2022, norma internacional que define requisitos de qualidade e competência técnica para laboratórios clínicos, avança em sua adoção global e eleva o foco em gestão de risco e imparcialidade de processos, incluindo a recomendação de materiais de controle independentes. ³

Tendências para mais eficiência e menos desperdício

Uma das estratégias que vêm ganhando espaço é a adoção de controles de terceiros independentes, recomendados por diretrizes internacionais para reduzir vieses e aumentar a confiança em medições. Na prática, isso permite ao laboratório comparar a performance de seus ensaios com materiais não vinculados ao mesmo fabricante do reagente ou do sistema analítico, fortalecendo a segurança do processo. No portfólio de controle de qualidade, essa abordagem está presente em soluções como os controles MAS™ Omni™, desenvolvidos para ampla compatibilidade e independência de plataforma.

Outra tendência é a consolidação de controles e rotinas de QC. Ao reduzir o número de frascos, referências e etapas diárias, o laboratório diminui o tempo de preparação e validação, reduz a chance de erro humano e simplifica a gestão de estoque — ganhos especialmente relevantes em cenários de equipes enxutas e alta demanda. Exemplo disso é a consolidação viabilizada por controles prontos pra uso como o MAS™ Omni™, que pode reduzir o número de frascos usados na rotina diária, simplificando etapas e espaço de armazenamento.

Esse movimento se conecta também a um terceiro desafio crescente no setor: sustentabilidade. Um relatório da IFCC — federação internacional de química clínica e medicina laboratorial — destaca que práticas sustentáveis passam por reduzir desperdícios de insumos, diminuir descarte de materiais e evitar repetições/recoletas ligadas a falhas evitáveis. ⁴ Nesse sentido, rotinas de QC mais racionais — com maior estabilidade de uso, menor volume morto e menos descarte por validade — contribuem para reduzir resíduos plásticos e biológicos, sem comprometer a conformidade técnica. A linha MAS QC incorpora esse racional com estabilidade de frasco aberto e validade estendida, além de opções como o MAS™ Diabetes Max QC em formato de tubo, que reduz volume morto e uso de consumíveis.

A digitalização do controle de qualidade complementa essas tendências. Ferramentas em nuvem permitem acompanhar resultados em tempo real, automatizar a consolidação de dados, gerar alertas precoces e comparar a performance com pares do mercado. Com isso, reduzem o retrabalho manual e fortalecem a governança técnica, liberando a equipe para atividades críticas de maior valor. Na Thermo Fisher Scientific, esse pilar é apoiado pelo programa de garantia da qualidade Thermo Scientific™ MAS™ LabLink xL™, plataforma em nuvem que integra dados de QC e permite benchmarking em tempo real.

“Quando o laboratório integra controles robustos, rotinas mais simples e análise digital contínua, ele reduz variabilidade, melhora indicadores de qualidade e ganha eficiência sem abrir mão da segurança”, avalia Tatiana Zanareli, especialista de produto na área de Diagnósticos Clínicos da Thermo Fisher Scientific.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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