Repercute notícia do contrato de R$ 129 milhões do Master com escritório da esposa de Moraes

Dados extraídos do telefone de Daniel Vorcaro indicam consultoria a partir do início de 2024, com R$ 3,6 milhões mensais. Liquidação do banco teria extinguido parceria.

A notícia de grande repercussão nacional nesta terça-feira (9) é a do suposto contrato que o Banco Master teria celebrado com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, o qual previa pagamento mensal de R$ 3,6 milhões durante três anos, a partir do início de 2024. O pagamento total de R$ 129,6 milhões ocorreria apenas no caso de cumprimento integral do contrato para representar o banco, o que foi interrompido pela liquidação do Master e extinção da prestação de serviços.

De acordo com informações levadas os meios de comunicação, não houve apreensão de documento físico, mas conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro, dono do banco. O aparelho foi apreendido pela Polícia Federal durante a operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro e outras pessoas em novembro – eles foram soltos e cumprem medidas cautelares. Não há nenhuma manifestação sobre ilegalidade da relação contratual, mas despertou atenção o valor vultoso e atípico.

“Tudo indica que o escritório foi regiamente pago enquanto possível, porque nas mensagens com a equipe, Vorcaro deixava claro que os desembolsos para Viviane eram prioridade para o Master e não podiam deixar de ser feitos em hipótese alguma”, menciona a jornalista Malu Gaspar em sua coluna em O Globo nesta terça. No escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, além de Viviane, trabalham os filhos de Alexandre de Moraes.

De acordo com investigações conduzidas pela Polícia Federal, o Banco Master produziu carteiras falsas de crédito e que a instituição teria criado uma empresa de fachada para comprar créditos de dívidas de R$ 12,2 bilhões entre janeiro e maio deste ano. Parte dos produtos de investimento teriam sido vendidos ao BRB (Banco de Brasília).

Até o começo da tarde desta terça, não havia informações oficiais por parte da PF ou esclarecimentos do escritório jurídico ou do ministro.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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